INSPIRAÇÃO

Mulher dá a luz depois do primeiro transplante de útero da América Latina

August 17, 2018 19:06

Uma analista de RH realizou o sonho de ser mãe de uma forma bem diferente. Nascida com uma síndrome rara, que atinge uma em cada 5 mil mulheres, ela não tinha útero e só chegou a menstruar depois dos 25 anos, quando recebeu um transplante de útero. A operação foi a primeira realizada na América Latina. 

Viviane Monteiro dos Santos começou a notar que era diferente quando era adolescente, e via todas as amigas da escola tendo suas primeiras menstruações. 

Aos 14 anos, a mãe a levou em um ginecologista e ele não localizou seu útero durante uma ultrassonografia, mas acreditou que aquilo acontecia porque ela estava com problemas de gases. 

Mesmo depois de se tratar adequadamente, o médico continuou não identificando seu útero. Por isso, ela resolveu buscar outra opinião quando, aos 25 anos, estava prestes a se casar e queria saber se podia ter filhos. 

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Ao receber a notícia de que era uma das poucas mulheres a nascer com uma condição chamada Síndrome de Rokitansky, Viviane pensou em desistir até do casamento. 

"Me senti culpada, castigada por Deus. Todo mundo diz que ser mãe é uma dádiva. Digo para minhas amigas que falam isso para parar, porque dá a impressão de que aquelas que não podem ter filhos não são merecedoras", disse em uma entrevista ao Fantástico. 

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Foi então que ela começou a pesquisar sobre a doença e fez uma inscrição para participar do experimento no Hospital das Clínicas, em São Paulo. 

Depois de passar por uma bateria de exames, Viviane finalmente fez a cirurgia para transplantar o útero de uma mulher falecida. O procedimento durou cerca de 10 horas e foi um sucesso. Pouquíssimo tempo depois, ela soube qual era a sensação de menstruar. "Foi maravilhoso. Eu parecia uma adolescente. Me sujava e tive dificuldade para comprar absorventes no início", contou. 

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Durante o processo, ela também tomou alguns comprimidos para evitar que seu corpo rejeitasse o órgão. Logo depois, engravidou de uma menina. 

A criança nasceu prematura, de 36 semanas. Mas, segundo a mãe, tudo correu bem. "Ela veio perfeita. Chorou normalmente. Tudo foi mágico", revelou.

Após o parto, Viviane passou mais 8 horas em cirurgia. Desta vez, para retirada do útero. Uma medida tomada pela equipe médica para que ela pudesse amamentar a filha. 

Até agora, apenas duas cirurgias como essa foram realizadas no Brasil, mas a segunda mulher transplantada sofreu complicações e precisou tirar o órgão dois dias após o procedimento. 

Além disso, casos em que as mulheres conseguiram engravidar após o transplante de útero só foram registrados no Brasil, Estados Unidos e Suécia. 

Em uma entrevista ao portal Universa, a jogadora de vôlei transexual Tifanny Abreu disse que está acompanhando as pesquisas e gostaria de ter a oportunidade de se tornar mãe. Mas até o momento, os pesquisadores do Hospital das Clínicas declararam que não existem estudos sobre este caso e que a técnica utilizada seria diferente. 

Eles ainda ressaltaram que não sabem como esse órgão se comportaria num corpo masculino, nem se a gestação seria possível, por causa dos hormônios.

Fonte: G1, Universa

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