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Desastre em Mariana completa três anos e moradores da região ainda não recuperaram suas vidas de volta

November 7, 2018 22:23

Em 5 de novembro de 2015, o Brasil e o mundo se chocaram com um dos maiores desastres ambientais da história do país. A barragem de Fundão, localizada no município de Bento Rodrigues se rompeu e, como consequência, os rejeitos de mineiração controlados pela Samarco Mineiração S.A., uma das maiores empresas do ramo no mundo, chegaram até o Rio Doce, que abrange 230 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo e que tinha muitas familias se abastecendo de suas águas. 

Na época, muitos artistas, personalidades famosas e até pessoas comuns se uniram para ajudar as famílias cujas vidas foram atingidas pelo desastre. Várias doações foram feitas para as cidades de Mariana, Bento Rodrigues e Barra Longa, mas o principal item que muitos receberam eram garrafas de água mineral. 

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Só que o tempo passou, e, apesar de muitas famílias terem se reconstruído e retomado suas vidas, um assunto não resolvido ainda incomoda muita gente - a impunidade. Isso porque muitas das vítimas convivem com os problemas causados pelo desastre sem receber ajuda da Samarco, considerada a principal responsável pelo incidente. 

Na cidade de Barra Longa, única a ter seu centro destruído pela lama da barragem, muitos moradores têm problemas gravíssimos de saúde como alergias e presença de metais pesados no sangue. Uma das afetadas pela tragédia, Simone, contou em entrevista ao portal de notícias UOL:

"Para você ter uma ideia hoje eu gasto R$ 2.000 reais por mês com esses tratamentos, fora as outras coisas. Hoje, minha filha não vai para escola por que ela precisa ir de carro e eu não tenho condições pagar isso. Ela não consegue mais ir a pé por causa dos problemas de saúde".

A filha mais nova dela, Sofya, é apenas uma entre as afetadas pelo desastre. Um estudo conjunto das Universidades Federal do Espírito Santo, Santiago de Compostela (Espanha) e Federal da Bahia comprovou que os rejeitos da barragem continham metais pesados. 

Ainda assim, a Samarco se exime da responsabilidade de arcar com os custos médicos dos moradores. Como resultado, eles muitas vezes ficam sem o tratamento adequado por falta de dinheiro ou precisam fazer de tudo para conseguir comprar os remédios e fazer os procedimentos necessários para manter-se saudáveis. 

No Twitter, muitos internautas ainda comentam o descaso com as cidades e famílias afetadas. Alguns pedem que o governo tome providências para resolver a questão, como esse usuário que já colocou o tema a cargo do presidente eleito, Jair Bolsonato (PSL). 

Além disso, muitas pessoas tiveram problemas de saúde mental depois do ocorrido, e as sequelas permanecem até hoje, três anos depois do rompimento da barragem. 

Para provar isso, foi realizado um estudo pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que avaliou 271 pacientes, com idades que variavam entre 10 e 90 anos, e determinou que quase um terço dessas pessoas sofria com depressão. Outros diagnósticos posteriores são de insônia e traumas psicológicos. 

Claro que todos sabem que algumas coisas nunca mais serão as mesmas depois do desastre, e não será possível reverter a situação completamente, mas muitos ainda aguardam justiça e que todos os afetados possam se recuperar e voltar a viver suas vidas normalmente, curados de tudo aquilo que fez mal. 

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