"Eu ainda vi a minha filha viva". Apresentadora portuguesa denuncia negligência médica após morte de sua filha

Só quem passou por isto sabe a dor que é perder um filho. E quando essa perda acontece por causa de negligência médica, o sofrimento inestimável vivido pelos pais vem acompanhado de um sentimento de revolta.

Esse é o caso da ex-atriz e apresentadora portuguesa Sara Santos. Grávida pela segunda vez, ela estava com 30 semanas de gestação, mas perdeu o bebê durante o parto. A artista culpa o hospital e o médico que a assistiu pela morte de sua filha e luta agora por justiça.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Devastada, Sara contou sua história em entrevista ao programa Queridas Manhãs, da SIC, emissora de TV na qual trabalha. 

Apesar de sua gravidez ser considerada de risco, os exames indicavam que a bebê estava bem. Porém, quando a gestação chegou aos 7 meses e meio, no dia 6 de fevereiro, ela começou a sentir contrações, que chegaram a acontecer de 15 em 15 minutos. Foi então que Sara ligou para o médico que havia lhe acompanhado até então, que estava em Lisboa e a alertou para ir à emergência em Setúbal.

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Ao chegar ao Hospital São Bernardo, ela passou por uma cardiotografia (CTG), um procedimento realizado para avaliar o batimento do coração do bebê e as contrações uterinas. Após cerca de 10 minutos, o resultado revelou que, a cada contração, a frequência cardíaca fetal caía. "A bebé já estava em sofrimento", disse a artista.

Imediatamente, as enfermeiras chamaram a equipe médica e informaram que a gestante teria que ser encaminhada para a Maternidade Alfredo da Costa, já que o hospital não tinha serviço neonatal, o que foi recusado pelo médico que chegou para atender Sara. "Ela não vai para canto nenhum. O médico aqui sou eu. E eu sei aquilo que vou fazer", teria gritado o profissional.

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Enquanto isso, o CTG continuou indicando que o ritmo cardíaco estava caindo até que ela perdeu oxigênio. Mesmo assim, o médico esperou mais uma hora. 

"Estamos falando da minha bebê, ligada por mais de três horas a um CTG, em sofrimento. Imagine uma pessoa com a cabeça debaixo d’água morrendo lentamente. Foi isso que aconteceu com a minha filha porque ele não quis fazer uma cesariana de imediato", disse Sara.

Depois de todo esse tempo, as enfermeiras imploraram para o médico enviar a paciente à MAC, mas ele disse que não dava mais tempo.

"Eu ainda vi a minha filha viva, na ecografia que ele me fez, ela ainda estava viva. Ainda ouvi o coração dela. E quando fui levada para o bloco, o que foi logo depois, já não a ouvi chorar. Tentaram reanimá-la durante 10 minutos sem sucesso", relatou a mãe com lágrimas nos olhos.

Ainda em luto e acreditando que a morte havia acontecido porque a bebê era muito pequena, Sara resolveu pedir opiniões de outros profissionais, que lhe informaram de que ela havido sido vítima de negligência médica.

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Ainda no programa, os apresentadores leram o seguinte comunicado emitido pelo hospital em questão:

A paciente recorreu ao Serviço de Urgência sem trabalho de parto. Realizou CTG de rotina, que revelou uma situação fetal preocupante, sem registo de contrações. Foi decidido transferir a grávida para uma unidade hospitalar com cuidados intensivos neonatais. Durante o tempo em que permaneceu na nossa urgência, verificou-se que a situação do feto não melhorava. Decidiu-se realizar de imediato a cesariana de emergência. O feto nasceu já morto.

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Em resposta à defesa do hospital, Sara explicou que sofre de vilosite placentária, uma doença autoimune. Porém, tal patologia já havia sido diagnosticada quando ela ficou grávida de seu primeiro filho, que nasceu com 34 semanas e hoje vive bem aos 14 anos de idade.

"Se eu também tive o mesmo problema placentário com a minha filha, eles negligenciaram", afirmou a artista alegando que eles deveriam ter ordenado imediatamente sua transferência para a MAC.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Inconformada, Sara contou que nenhum dos muitos médicos que lhe informaram sobre a negligência médica quis apoiá-la na denúncia, porque protegem-se uns aos outros.

"Quero que o médico seja preso (…) Vou lutar com tudo aquilo que tenho até ao fim e vou fazer justiça em nome da minha filha. E de outros pais que não quero que passem pelo mesmo", concluiu.

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Infelizmente, esse não é um caso isolado. Só no nosso país, aproximadamente 829 brasileiros morrem diariamente em hospitais públicos e privados devido a falhas médicas que poderiam ser evitadas, é o que consta no Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil de 2017. O número assustador representa a segunda causa de morte mais comum do país, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares.

Assim como aconteceu com Sara, muitas outras mulheres podem perder seus filhos devido à negligência médica. Ninguém está salvo de acontecimentos trágicos como esse, por isso é preciso se informar sempre. 

Fonte: VIP

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