Esta mãe perdeu três filhos para o suicídio, mas conseguiu reunir forças para seguir em frente

Suicídio é uma palavra com uma carga tão negativa, que é mais difícil tocar no assunto do que debater outros assuntos que são tabu para as pessoas. Mas, mesmo que as pessoas prefiram não falar sobre isso, as taxas no mundo todo só aumentam. O número é tão significativo, que é praticamente o dobro das mortes violentas (homicídios): enquanto 470 mil pessoas são assassinadas no mundo a cada ano, 800 mil se matam nesse mesmo período.

Esses são os dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que quando convertidos para outro número fica mais alarmante ainda! A cada 40 segundos uma pessoa no mundo decide que não quer mais viver. Isso significa que ao terminar de ler essa última linha, alguém provavelmente interrompeu a própria vida.

Há um acordo não assinado de que não se fale sobre o pecado mortal, mas é extremamente necessário um debate saudável sobre o tema para desmistificá-lo e preveni-lo. E foi por isso que Patricia Ferrin decidiu contar a terrível história de ter três filhos levados pelo suicídio nos últimos 7 anos.

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Ela perdeu todos os filhos para o suicídio e, mesmo assim, encontrou forças para seguir em frente

Não há uma pessoa no mundo que gostaria de ser essa mãe ou ser parte da família nesse momento. Se perder um filho é completamente inimaginável, quando três se vão - e todos vítimas de suicídio - a dor e a aflição é tão grande que acreditamos que você nem consiga imaginar. 

Para Patricia, suas filhas Danielle e Seaneen e seu marido Eddie, sobram as perguntas "onde foi que erramos?", "poderia ter feito mais?" e todas essas questões só engrossam o turbilhão de emoções tristes.

O filho mais novo se foi em 2011, o segundo se matou em 2014 e o terceiro em 2017. Mas, apesar de tanto pesar e tanto sofrimento, essa mãe busca conforto em família, na fé e se dedicando ao cuidado das plantas que tanto ama, além de se dedicando a algumas atividades manuais. Isso mantêm sua mente ocupada para não pensar na tragédia.

O mais velho, Stephen Ferrin, de 31 anos, foi encontrado por sua mãe três anos e meio desde que Kieran (24), e seis anos desde que Niall (19) também tiraram suas vidas.

A prova de que há uma epidemia e algumas pessoas estão mais propensas a sofrerem com ela, é que Christopher, o primo dos rapazes, foi o primeiro a tirar a própria vida em 2010, ao 19 anos. Os quatro eram jovens populares que aparentemente tinham tudo pelo que viver e a morte de todos surpreendeu a todos os entes que não encontraram resposta para o que aconteceu.

Achar que "não há o que se possa fazer" também mata - principalmente entre os profissionais da Saúde

Mas, como Patrícia conseguiu dar a volta por cima e suportar a partida trágica de três filhos suicídio? Como ela explica e dá força para a netinha Sophie, filha de Stephen, nascida em 2009? E mais ainda: como essa mãe consegue sorrir e ser alento para toda a família?

Quando o seu último filho tirou a vida, Patrícia travou uma imensa batalha ano após ano, dia após dia, até o fatídico dia em que encontrou Stephen morto em seu quarto, ironicamente no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10 de setembro). Ela já havia feito de tudo, o levado a diversos médicos, acompanhamento psicológico e psiquiátrico, no fundo ela sabia que depois da morte do primo e dos irmãos era questão de tempo até o filho tentar seguir o mesmo caminho.

Mas o que mais deixou Patrícia revoltada foi a falta de dedicação que os profissionais de saúde deram. "A classe médica poderia ter feito mais. Eu sinto como se eles tivessem me traído", conta e continua: "Me disseram que não haviam camas e que ninguém poderia fazer nada e enquanto isso, Stephen estava de joelhos implorando por ajuda."

A família que é de Belfast, na Irlanda do Norte, acredita que é necessário urgentemente que haja um centro de saúde mental dedicado e que o dinheiro deve ser aplicado naquilo que é mais necessário. "Eles [o Governo] gastaram milhares em uma escultura chamada 'Balls on the Falls', mas não muito longe dessa enorme obra de arte, as pessoas estão tão desesperadas que estão tirando suas próprias vidas", disse ela. "Eu disse a uma das enfermeiras que já tinha perdido dois filhos para o suicídio e que se o Stephen voltasse para casa, eu o enterraria. Mas, fiquei com a impressão de que ninguém estava realmente ouvindo".

Mas, Patrícia tem que seguir em frente por suas netas Morgan, Ava, Cara e Sophie, suas filhas, seu pai que tem Alzheimer e precisa de cuidados e é na fé e na luta para que o suicídio seja visto com mais afinco e relevância, que ela encontra forças para seguir em frente.

Não podemos fingir que não acontece

Precisamos falar sobre isso urgentemente! A cada ano, sobem os números relacionados ao suicídio principalmente entre jovens e adolescentes. Especialistas mostram que o depressão é um mal democrático, que toma proporções maiores ano após ano e vem se tornando uma epidemia global. A OMS estima mais de 300 milhões de indivíduos são afetados por ano e esse número aumenta gradativamente. Quase 100% dos indivíduos que já tentaram ou que conseguiram suicidar têm um quadro psiquiátrico. E a imensa maioria das doenças mentais são tratáveis. A primeira coisa a ser combatida é o preconceito!

E é preciso falar com os filhos, sim! É preciso ter segurança e ser completamente sincero com suas crianças - principalmente adolescentes - porque a informação vai chegar até elas de qualquer forma e é importante que você a tenha abraçado antes. Explique o papel importante que elas exercem na família, na comunidade e demontre o valor que têm.

Nunca condene, ouça atentamente tudo o que ela tem para falar e, principalmente, preencha de amor e carinho. Não vá pelo caminho da culpa. Não xingue, ameace, nem faça chantagens com seus filhos (nada de "por que você está fazendo isso comigo?" ou "quem se mata vai para o inferno"), pois isso não melhora a situação; muito pelo contrário! E por fim, faça com que eles tenham compaixão pelas pessoas que acabam partindo sem ter aproveitado a vida - não os ensine a condená-los.

E, por fim, se perceber a necessidade, faça um acompanhamento psicológico com seu(s) filho(s) para aprender como lidar com a situação e para que ele tenha um apoio profissional. A vida vale mais!

 

Fonte: Familia.com.br, G1, Correio Braziliense, BBC

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