Ela tentou salvar a mãe da morte e acabou com 60% do corpo queimado em um incêndio que o próprio pai começou

INSPIRAÇÃO

Ela tentou salvar a mãe da morte e acabou com 60% do corpo queimado em um incêndio que o próprio pai começou

Date October 18, 2018 23:36

A violência contra a mulher aumenta cada vez mais no Brasil, que tem a 5ª maior taxa de feminicídio do mundo, de acordo com o último Mapa da Violência Contra a Mulher. Pesquisas mostram que, em mais de 50% dos casos, o agressor é familiar da vítima e, em 33%, parceiro ou ex. Assim, notícias de mulheres violentadas e até assassinadas por pessoas em quem costumavam confiar é cada vez mais frequente.

Um desses episódios quase custou a vida de Amanda Carvalho, de 20 anos. A jovem teve quase 60% do corpo queimado ao tentar salvar a mãe após atearem fogo nela. O agressor: o próprio pai.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Amanda Carvalho (@manddycarvalho) em

De acordo com o que a jovem relatou a UOL, os pais sempre tiveram uma relação conturbada e a mãe foi vítima de violência física diversas vezes antes de finalmente se separar do marido.

Como a avó paterna de Amanda morava próximo à casa da família, o pai teve acesso ao quintal e ateou fogo na mãe. Ao vê-la em apuros, a filha correu para ajudar e acabou sendo atingida pela gasolina e pelo fogo. É tudo que se lembra antes de passar um mês na UTI e quase dois meses internada em um hospital para recuperação.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Amanda Carvalho (@manddycarvalho) em

Durante o tratamento, as três irmãs de Amanda, que estavam dormindo no momento do crime e não se machucaram, diziam que a mãe estava internada e muito mal. “Em algum lugar dentro de mim, porém, eu sabia o que havia acontecido, mas queria que alguém me falasse”, confessa.

RECOMENDAMOS PARA VOCÊ: Filho salvou mãe inválida do incêndio no edifício em Londres. Ele desceu 24 lances de escada com ela nos braços para escapar das chamas!

Dias depois, recebeu a confirmação: a mãe havia morrido no mesmo dia do crime, com mais de 80% do corpo queimado. O pai se enforcou.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Amanda Carvalho (@manddycarvalho) em

Por algum tempo, Amanda ainda se culpou pelo que ocorrera com a mãe, mas com ajuda de terapia e da família superou o trauma.

“Achava que podia ter feito alguma coisa para que ela ainda estivesse aqui. Com o tempo, fui entendendo que não era culpa minha. Até o fato de eu ter me queimado era um sinal de que tentei, sim, fazer o que podia”, afirma.

Autoaceitação

Além da dor pela perda da mãe em um crime tão brutal, a jovem tinha que lidar com outra coisa: a autoaceitação de seu corpo depois do acidente. Antes, ela já não gostava das curvas e dos seios pequenos, depois, se sentia incomodada com os olhares e perguntas indiscretas quando saia na rua. “Tinha vergonha e me sentia diferente do resto”, conta.

Felizmente, ela conseguiu vencer mais esse obstáculo e se aceitar como é, sem se preocupar com o que as outras pessoas podiam achar. Fez até um ensaio de nu artístico com um fotógrafo profissional. “Quando recebi as fotos, fiquei horas me olhando, emocionada”.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Amanda Carvalho (@manddycarvalho) em

Hoje, Amanda mora com as três irmãs e passa o tempo cuidando da mais nova, que tem paralisia cerebral. Além disso, trabalha em um call center e sonha em fazer um curso superior em Medicina ou talvez um curso de fotografia. Mesmo com as dores do passado marcadas na pele, se sente mais forte e confiante.

“Acho que nunca vou aceitar o que aconteceu, mas voltei a amar meu corpo. Se antes eu tinha vergonha das minhas cicatrizes, hoje tenho o maior orgulho e as amo. Elas fazem parte de mim, da minha história e de quem me tornei”, finaliza.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Amanda Carvalho (@manddycarvalho) em

Feminicídio

No Brasil, o feminicídio é crime hediondo desde 2015, e se caracteriza por violência doméstica, familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

A pena para esses crimes varia de 12 a 30 anos de prisão, mas casos como os da mãe de Amanda são cada vez mais comuns.

Um levantamento feito de março de 2006 a março de 2007 registrou 30 feminicídios por dia, segundo os ministérios públicos estaduais. Para diminuir esses crimes, é essencial denunciar as agressões de que tem conhecimento. Para isso, ligue 180, independente do estado em que você está. Sua denúncia pode salvar vidas!

RECOMENDAMOS PARA VOCÊ: Laura foi estuprada aos 15 anos, superou o trauma e conta como tirou forças para se tornar uma ativista contra agressão sexual