Este homem se formou professor na prisão e hoje faz pós-graduação e sozinho tirou muitos outros do crime pela educação!

Nós temos o costume de culpar e punir com muita facilidade. Temos na ponta da língua o "culpado até que se prove o contrário" e nós costumamos não perdoar os erros dos outros. Bem... Quando erramos, queremos sempre uma segunda chance, mas olhar o lado do outro, é bem complicado, não é?

A cultura brasileira só permite errar uma vez! E quando se trata de um crime então, às vezes é até inadimissível e reinserção dessa pessoa na sociedade. É praticamente inexistente no nosso país o perdão, a reeducação e a reinserção social... Isso faz com que um criminoso viva e morra no crime, pois sabe que seu erro nunca será perdoado.

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E é por essas e outras que a história do Venilton é uma lição de que as coisas podem melhorar se nós dermos uma chance, mesmo sendo difícil. Afinal de contas, se Jesus perdoou o bandido arrependido, por que nós não permitimos a reintegração para quem realmente quer?

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Conheça a história do Venilton!

Venilton se formou professor na prisão e hoje faz pós-graduação! E só de ler essa frase é um pouco injusto não quando pensamos que imensa maioria dos brasileiros a frase "bandido bom é bandido morto". Talvez seja verdade, pois existe muita gente do mal no mundo.

Em 1979, Venilton poderia ser considerado uma pessoa "do mal". Ele entrou para a vida do crime ainda adolescente. Enquanto alguns entram pelos mais diversos motivos (pobreza, necessidade, etc.), ele, completamente inconsequente, entrou aos 16 anos para a vida errada, porque queria se sentir “parte da turma”.

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"Escolhi uns atalhos. Para fazer parte do grupo de amigos, usava um baseado, um pó", disse o professor com vergonha do passado, mas consciente do seu presente. Abandonou a escola e daí escalou: furto, roubo de camionetes para revender e foi preso em 14 de agosto de 1979, aos 19 anos. E foi assim por 33 anos: um pouco na rua, um pouco na cadeia.

Então, no ano de 2005, quando já tinha 45 anos, foi preso em flagrante por homicídio. Venilton confessa o crime e disse que deu tiros num homem que o ameaçou de morte. Ficou preso por 12 anos e quando lembra do ocorrido ele afirma sem pestanejar: "Hoje, se eu pudesse voltar no tempo, preferia ter eu mesmo perdido a vida".

Venilton disse que os últimos 12 anos foram imprescindíveis. Ele teve um amparo legal dentro da unidade de Serra Azul, São Paulo, onde foi trancafiado. A SAP (Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo) oferece ensino por meio de escolas vinculadas e em algun dos sistemas prisionais, os detentos recebem aula de professores da rede pública de ensino dentro dos próprios presídios.

Há uma lei (A Lei de Execução Penal, artigo 126, § 1º), que garante ao detento que para cada 12 horas de frequência escolar (ensino fundamental, médio, profissionalizante, superior ou de requalificação profissional), ele pode vir a ter um dia de sua pena subtraído.

O primeiro sonho de Venilton Leonardo Vinci foi terminar o ensino médio. E, com esse acesso, ele conseguiu terminar o ensino médio.

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Não demorou e Venilton virou monitor dos presos que queriam estudar também e virou coordenador da sala de biblioteca, além de aprender braile para ensinar alunos com deficiência visual.

Um dia, o diretor da prisão entrou na sala e fez um convite. E foi então que ele, que já era professor sem saber, recebeu a notícia de que se quisesse poderia aprender e lecionar. Ele não pensou duas vez e começou Pedagogia à Distância em 2009.

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Sobre sua vida no crime, Venilton fala com convicção: "Tem gente que quer pagar de malandro: ‘Tirei 20 anos, 30 anos’. Eu tenho vergonha. Não me trouxe benefício nenhum. A não ser nesses últimos 12 anos". 

Venilton teve dificuldades no começo pela falta de estrutura, mas tentou de novo e foi o primeiro preso do estado de São Paulo a terminar um curso superior dentro da prisão.

Em 12 de novembro de 2017, Venilton foi solto e faz quase um ano que deixou a prisão, em regime aberto. Ele conseguiu bolsa para pós-graduação à distância em Psicopedagogia e o seu maior sonho é estar em uma sala de aula!

Não é de hoje que histórias como as do Venilton são ignoradas pela sociedade como quanto pelo Estado. O sistema carcerário brasileiro é quase que completamente ineficiente em reeducar e reinserir a pessoa na sociedade: salvo raros casos e com o suporte adequado. 90% das prisões são verdadeiras faculdades de criminosos e o próprio cidadão parece não ter o menor interesse que haja uma reeducação e reintegração de um ex-detento.

Hoje (e já há muito tempo) a população e o governo se preocupam mais em condenar e punir do que reeducar e ressocializar. Os presidios não possuem estrutura adequada, as pe­ni­ten­ci­á­rias não fazem distinção de pequenos delitos ou grandes crimes (um pai que não pôde pagar a pensão pode dividir cela com um assassino ou estuprador) , além das condições deploráveis há a enorme chance da pessoa, para não morrer, aderir a uma facção criminosa e ter que continuar na vida de crimes mesmo (e se) sair da prisão.

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Exemplo de iniciativa nesse sentido que deu certo em 2015 - CNJ - Projeto Reeducação leva sala de aula à Cadeia de Formoso do Araguaia

Na contramão da sociedade que quer olho por olho e dente por dente, a Comarca de Formoso do Araguaia (TO) celebra desde o ano de 2015 um sucesso estrondoso ao criar salas de aula na cadeia pública do município. Os detentos são levados à educação e são possibilitados a fazer cursos profissionalizantes, permitindo assim que eles tenham oportunidades rde reinserção e  uma profissão dignas quando saírem e as chances de que voltem ao crime reduzem drásticamente.

E você? O que achou da história do Venilton? Acredita que todo mundo tem o direito de se arrepender e recomeçar, porque ninguém está isento de errar? Comenta o que você pensa!

Fonte: História do Dia, Jus Brasil, DM, CNJ

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