Há mais de 150 anos, um grupo de pessoas criou a primeira "vaquinha do bem" para libertar escravos!

Precisamos fazer jus às pessoas de bem da nossa História! Enquanto hoje em dia ainda vivemos numa sociedade que nega o preconceito e o racismo, nos anos de 1860, antes mesmo da Lei Áurea ter sido assinada pela princesa Isabel, 6 brasileiros já lutavam pela Justiça no Brasil e pelo fim daquele regime hediondo de escravidão.

Em 19 de setembro de 1869, um grupo de heróis faz subir ao palco do teatro São Pedro 21 crianças. Não era talentos mirins postos à prova numa peça, mas sim todas crianças negras filhas de escravas. Naquele momento, elas recebiam cartas legítimas de alforria. Tanto os protagonistas, quanto o público e os produtores daquela peça da vida real choraram de emoção. 

Esse foi o relato do médico José Antonio do Valle Caldre Fião. O doutor era presidente da Sociedade Partenon Literário, o grupo de pessoas criado há mais de 150 anos, que montou o espetáculo abolicionista. Mas, eles não faziam apenas isso! A soliedariedade dessa sociedade era muito maior: eles faziam "vaquinhas" e compravam a liberdade dos escravos.

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Com tanta gente tentando negar esse passado obscuro, entre outras pessoas - inclusive personalidades expoentes no cenário político - que dizem que "não existia escravidão no Brasil" e que "os portugueses nem foram à África", é difícil imaginar a emoção que essa atitude pode ter causado.

Mas se você pensa que era só no Rio Grande do Sul que haviam pessoas preocupadas com os seres humanos e que lutavam contra a escravidão, se engana.

De 1868 a 1888, explodiu pelo Brasil inteiro uma enorme quantidade de grupos mobilizados pela causa abolicionista. Grupos estes que eram vistos com imensa cólera pelos grandes detentores de riqueza e que faturavam muito com o comércio de escravos no país. 

Ceará, Espírito Santo, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo também tiveram diversos grupos que fizeram um show cultural para mostrar à sociedade que aquelas pessoas não eram mais escravas! Era assim que as cartas de alforrias eram entregues e a imprensa não perdia um clique.

Artista estrangeiros eram tocados com a situação precária da política escravagista no país e em agosto de 1886, dois anos antes da Lei Áurea começa a vigorar,  uma cantora russa chamada Nadina Bulicioff, durante um show de ópera no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, presenteou a seis escravas com a liberdade! Por trás, talvez nomes que você tenha visto em aulas de História, mas nunca tenha ligado ao fato real: os abolicionistas André Rebouças, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco.

Direitos Humanos contra Direito à Propriedade

Em 1869 o regime da escravidão era defendido pela elite brasileira que considerou a peça um "ultraje". As pessoas acreditavam que os abolicionistas feriam o direito à propriedade e iriam destruir o país com esse negócio de libertar os negros. Lembrando que a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885), que concendiam liberdade às crianças e aos idosos, respectivamente, ainda não existiam e que a abolição só aconteceu quase 20 anos depois do espetáculo; no dia 13 de maio de 1888. 

Mas, no Rio Grande do Sul, a escravidão foi abolida quatro anos antes! Como? 
Dois "grupinhos" fizeram uma campanha da "vaquinha" pela vida e pela liberdade foram cruciais para que isso acontecesse. Eram eles o Centro Abolicionista e o Partenon Literário.


Primeira vaquinha do bem do Brasil

Em 1884, os integrantes do grupo de verdadeiros heróis foram pelas ruas de Porto Alegre, e bateram de porta em porta batiam de em todas as casas do centro (especialmente na Rua das Andradas) e clamaram ao povo que olhasse pela situação dos escravos. O pedido era um só: pela liberdade!

Arrecadaram dinheiro de praticamente todos os gaúchos a quem solicitaram apoio e, em diversas ações, compraram as alforrias do escravos. 

Os libertos foram reunidos no local que hoje é conhecido como Parque da Redenção, oficialmente chamado de Parque Farroupilha. Próximo dali, montavam barracos na chamada "Colônia Africana".

O impacto foi tão grande, que em janeiro de 1885, a princesa Isabel em pessoa deu um pulinho em Porto Alegre. A monarca ficou tão comovida que lançou um projeto que fosse concretizado em homenagem ao grupo: a construção da sede do Partenon, inspirado no templo de Atenas; mas infelizmente não foi concluído.

Eles foram perseguidos, atacados e odiados por muitos e muitos anos. Mesmo no século XX, e até hoje em dia, muitas pessoas negam a maldade que foi muitos anos de regime escravagista e a realidade do racismo e preconceito no país.

Os abolicionistas de hoje, são as pessoas que se opõem à violência contra a mulher, à opressão aos LGBTQ+ e ao racismo que insiste em existir velado. Temos que refletir e aplaudir!

 

Fonte: BBC, Toda Matéria

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