Fazer o bem sem olhar a quem: após perder dois filhos, mulher doa rim para desconhecida e se torna uma mãe para ela

INSPIRAÇÃO

Fazer o bem sem olhar a quem: após perder dois filhos, mulher doa rim para desconhecida e se torna uma mãe para ela

Date October 10, 2018 22:01

Em meio a tantas notícias sobre crimes cruéis e atos desumanos, toda demonstração de bondade é motivo de comemoração e merece ser compartilhada. Ainda mais quando isso é feito entre pessoas que ainda nem se conheciam.

Exemplo disso é a história incrível de Roseli Behnke, 53, funcionária de uma empresa de segurança em Joinville (SC), e da professora Cátia Rodrigues, 44. Elas não tinham parentesco nenhum, mas tiveram seus caminhos cruzados por um ato de compaixão. 

Cátia, que sofria de glomerulo nefrite crônica, contava com menos de 10% do funcionamento dos rins, tinha a pele amarelada, mal conseguia ficar em pé, e estava na fila de transplante há cinco anos. Porém, essa espera teve fim graças à iniciativa admirável de Roseli.

Após ver a professora sair várias vezes da reunião de bairro da qual participavam por causa da insuficiência renal, Roseli chegou para ela e disse: “Tenho dois rins tinindo de bom e posso dar um para você”. Cátia, é claro, ficou muito grata, mas pensou que ela tivesse dito isso no calor da emoção. Felizmente, sua futura doadora estava realmente interessada em ajudá-la.

Uma vez que um gesto genuíno como esse é raro, elas tiveram que provar que não se tratava de compra de órgão e conseguiram autorização para que a doação fosse feita.

Depois de meses de exames rigorosos, doadora e paciente descobriram que eram compatíveis, algo considerado raro. Enfim, o transplante foi feito e Cátia voltou a viver bem: deu adeus à máquina de diálise e hoje valoriza bastante a simples possibilidade de beber um copo de água inteiro. 

Agora, as duas são muito mais do que meras desconhecidas, tornaram-se parentes de coração, ou melhor, de rins. Cátia diz que considera Roseli como uma mãe. 

Uma mãe muito forte, vale dizer. Roseli teve quatro filhos, mas já se despediu de dois. Em 2005, Tiago, seu filho mais velho, morreu em um acidente de moto. "Mesmo no meu sofrimento, doei todos os órgãos dele. Foi o primeiro caso de doação total de órgãos em Joinville", contou. Dois anos depois, ela também perdeu Bruno, seu filho de apenas 12 anos, que não resistiu a uma leucemia.

Perdas inestimáveis como essas fizeram de Roseli alguém com um olhar mais compassivo. "Em nenhum momento hesitei ou tive medo de doar meu rim à Catia, porque não agi por emoção, agi por amor. Amor ao próximo", concluiu.

Outro caso digno de ser celebrado é o da colombiana Zully Broussard, 58, e do mexicano Oswaldo Padilha, 29, ambos moradores do estado da Califórnia (EUA) e com uma trajetória de vida nada fácil. Ela perdeu o filho e o marido para o câncer e ele sofria de uma doença que fez seus rins pararem de funcionar, o que o deixou na fila de espera por um transplante durante dois anos.

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Oswaldo ficava mais fraco a cada dia e até já tinha conseguido um doador, sua cunhada, Sônia, mas ela não era compatível com o tipo de sangue dele. Foi um gesto de bondade de Zully que mudou não só a vida do mexicano como de outras cinco pessoas. 

Mesmo sem se conhecerem e vivendo em cidades diferentes, eles se encontraram. A colombiana já havia procurado o hospital como doadora, ela doaria um rim para o próximo da lista. E o próximo era Oswaldo. A cirurgia foi um sucesso e teve como resultado uma onda de gratidão.

"Eu disse à Zully e à Sônia: poderia passar a vida inteira dizendo obrigado mas não seria suficiente para o que elas merecem", contou Oswaldo."Eu não pude salvar meu filho nem meu marido. Mas me senti extremamente grata e abençoada por poder ajudar o Oswaldo", afirmou Zully.

O ato de coragem de Zully gerou uma espécie de efeito dominó graças à solidariedade de outros doadores e a um sistema inovador de captação de órgãos dos EUA, que permite que uma pessoa receba um rim se seu parente ou amigo aceitar doar um para alguém.

Oswaldo só pôde fazer o transplante porque sua cunhada aceitou doar o rim para uma outra pessoa. Sônia doou para Norma, cujo filho doou para Maria. Da mesma forma, a filha de Maria, Ana, foi doadora para outra paciente, a Míriam. A filha da Míriam doou então para o Mark. E a irmã do Mark encerrou essa cadeia de transplantes doando para o Verle.

Muito bacana, né? Vale lembrar que os riscos da cirurgia para os doadores são mínimos. Eles conseguem se recuperar em 6 a 8 semanas. Um tempo bem curto diante da recompensa de saber que mudou a vida de alguém, não é mesmo?

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