Raiva humana: aumentam os casos em estados brasileiros. Conheça as causas, sintomas e tratamentos

A raiva é uma doença mais conhecida por ocorrer em cachorros, mas, por ser uma zoonose, pode ser transmitida do animal para o homem. A doença tem alta taxa de mortalidade humana, próximo a 100%. Os dados afirmam que, anualmente, cerca de 70 mil pessoas morrem de raiva humana no mundo.

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No Brasil, recentemente, casos voltaram a acontecer. No estado do Pará, 12 casos suspeitos foram notificados esse ano, com seis mortes, sendo uma confirmada para a doença. A Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA) confirmou na terça-feira (15) a última, de uma criança no Arquipélago do Marajó. Cinco crianças e um adulto seguem internados e a maioria em estado grave.

 

A Secretaria de Saúde do Pará informou ter notificado 12 casos de raiva humana no estado, incluindo seis mortes. Até o momento, pelo menos um caso foi confirmado. Segundo o órgão, um paciente morreu na tarde desta terça-feira (15) no Hospital Regional de Breves. Quatro crianças seguem internadas na Santa Casa de Misericórdia em Belém e uma no Hospital Regional de Breves, que também atende um adulto com suspeita da doença. A maioria dos pacientes se mantêm em estado considerado grave. As informações são da Agência Brasil. Por meio de nota, a secretaria informou que continua o trabalho de investigação e prevenção da raiva humana no município de Melgaço, no Arquipélago do Marajó. Na última segunda-feira (14), 1 mil doses de vacina antirrábica e 300 frascos de soros antirrábico foram enviados à região. As ações se concentram na localidade de Rio Laguna, a cerca de 70 quilômetros de Melgaço, onde residem aproximadamente mil pessoas. Até o momento, foram vacinadas 500 pessoas. Ainda de acordo com o governo estadual, coletas sorológicas foram realizadas em todos os pacientes -inclusive os que morreram- e encaminhadas ao Instituto Pasteur, em São Paulo, laboratório referência no diagnóstico de raiva humana. (Foto: Agência Diário) #raivahumana #para #transmissao #casos #saude #diariodonordeste #dn

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Todos os casos estão sendo analisados para diagnóstico no Instituto Pasteur, em São Paulo. O governo local em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e Ministério da Saúde estão investigando o ocorrido. Já foram enviadas 1000 doses de vacinas antirrábicas e 300 soros para a região.

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Entenda um pouco mais sobre essa doença e saiba como evitar que mais casos aconteçam.

O que é a raiva humana?

É uma doença infecciosa causada pelo Lyssavirus, da família Rhabdoviridae. Ela é transmitida somente por animais mamíferos, geralmente pela mordida, quando ocorre a inoculação do vírus presente na saliva. Após a entrada no corpo, o vírus se move em direção ao sistem nervoso central, podendo chegar ao cérebro e causar encefalite rábica, a complicação mais grave que pode levar ao óbito.

 

Quais são as causas da doença?

A principal causa da doença é a transmissão por meio de mordidas ou arranhões de mamíferos contaminados, principalmente cães e morcegos. Outros bichos que podem transmitir a doenção são furões, raposas, gatos, coiotes, gambás, guaxinins e macacos. Desde que se iniciaram as campanhas de vacinação em cães e gatos contra a doença, os casos diminuiram muito. Porém, no Brasil agora um dos principais transmissores, desde 2004, é o morcego. 


Além da mordida, lambidas também podem ser fonte de contaminação, caso entre em contato com mucosas ou feridas abertas. O contato apenas com a pele não oferece risco. O sangue do animal contaminado também não transmite o vírus.

 

No último domingo faleceu a oitava criança por suspeita de raiva humana no Pará, com um (01) caso já confirmado laboratorialmente. Isso é extremamente preocupante do ponto de vista epidemiológico. A raiva humana é transmitida para os humanos pelo contato direto com a saliva de um mamífero infectado, seja através de mordidas ou penetrando por feridas abertas, seja através de lambidas na lesão ou em mucosas, como a da boca. Esse vírus tem afinidade pelas células nervosas, podendo alcançar o cérebro e causar uma encefalite, e, depois, pode atingir vários outros órgãos importantes. A raiva humana é uma doença viral aguda, progressiva e mortal. Qualquer mamífero, doméstico ou não – o homem inclusive – pode ser infectado pelo vírus da raiva. Qualquer mordedura por animais mamíferos (exceto roedores) deve ser prontamente reportada ao serviço de pronto socorro médico mais próximo para avaliar a necessidade de administração de soro e vacina anti-rábica. O infectologista é o médico especialista nesse assunto! #raiva #raivahumana #Infectologia #Infectologista #Infecções #Pele #Corpo #Saúde #Diagnóstico #Prevenção #Vacinas #Tratamento #MédicoInfectologista #DraMarinaMalacarne #DraInfectologista #DraMarinaInfectologista #Colatina #ES #ColatinaES #SãoGabrieldaPalha

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Quais os principais sintomas?

Como o vírus da raiva tem afinidade com o sistem nervoso, os sintomas estão relacionados com o acometimento do cérebro. Entre os principais sintomas da doença, pode citar:

  • Confusão mental
  • Desorientação
  • Agressividade
  • Alucinações
  • Dificuldade de deglutir
  • Paralisia motora
  • Espasmos musculares
  • Salivação excessiva

Depois que ocorre a incubação do vírus, demora cerca de 1 a 3 meses para os sintomas aparecerem. Antes de se inicar a encefalite, é comum aparecerem sintomas não específicos, como dores de cabeça, febre, vômito e mal estar, e até dormência na região mordida. Após a encefalite se iniciar, ocorre a a inflamação do sistema nervoso, resultando em coma e, possivelmente, óbito.

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Existe tratamento?

Aqui, o tempo é crucial, principalmente se a mordida for próxima a cabeça. Caso o tratamento seja ministrado antes do início dos sintomas, ele pode ser altamente eficaz. O procedimento é profilático e consiste na aplicação da vacina antirrábica e soro com anticorpos, com tratamentos que podem durar cerca de 10 dias. As medidas devem ser tomadas imediatamente após a mordida ou arranhão.


Primeiramente, deve-se lavar bem o local com água e sabão e procurar imediatamente o atendimento médico para avaliar a necessidade de tratamento profilático. Se o animal for doméstico, confira a cartela de vacinação do bicho, pois, se vacinado, não há necessidade de tratamento. Se possível, indica-se também a observação do animal por 10 dias, no caso de cãos, gatos e furões, para saber se ele irá apresentar sintomas da doença. Para os profissionais que trabalham com animais ou expostos a vírus, indica-se a profilaxia pré-exposição, como forma de prevenção.

Uma peculiaridade é o caso dos morcegos. Sua mordida pode passar despercebida, principalmente quando as vítimas estão dormindo. Caso encontre um animal desses no seu quarto ou suspeite do contato, mesmo que não haja indícios de mordida, deve-se procurar um médico. Na dúvida, deve-se prevenir sempre.


Apesar da gravidade, existem casos de cura, como o do amazonense Mateus Castro, de 14 anos, que sobreviveu após procurar atendimento rapidamente, depois que seus irmãos faleceram da doença. Tudo depende da conscientização e na agilidade em que se busca o tratamento. 

Fonte: G1, M de Saúde, O Globo

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Este artigo é meramente informativo. Não se automedique e, em todos os casos, consulte um profissional de saúde certificado antes de usar qualquer informação apresentada nesta publicação. O conselho editorial não garante nenhum resultado e não assume qualquer responsabilidade por danos que possam resultar da utilização das informações constantes no artigo.

 

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