Guerreiras! A batalha das mães dos bebês com microcefalia por causa do Zika Virus

Guerreiras! A batalha das mães dos bebês com microcefalia por causa do Zika Virus

Saúde e Estilo de Vida

October 4, 2018 00:42 By Fabiosa

No ano 2015 uma epidemia sem precedentes chegou ao Brasil e encheu de temor e desespero as mulheres grávidas da época. O Zika Virus transmitido pela picada do mosquito Aedes Aegypti fez o final de 2015 e início de 2016 um momento sinistro na história nacional.

undefinedTacio Philip Sansonovski / Shutterstock.com

 

Começou então, a luta diária das mães dos bebês que nasceram com microcefalia. A condição causada por conta da epidemia do vírus Zika. E, por falar nelas, como estão as mães dos bebês afetados com essa condição especial? Qual a explicação pra epidemia? O que o Estado está fazendo para assistir a essas mães?

O dia a dia de Nadja Bezerra e sua bebê Elisa não é dos mais simples. Dois anos depois do tsunami que o virús Zika e causou em mais de 3600 famílias, ela precisa se dedicar arduamente para garantir os cuidados da sua nenê. A menina nasceu com microcefalia, uma condição provocada pelo vírus ativo nas mães grávidas no período em que a epidemia se deu mais forte, especialmente no Nordeste do país (que concentrou a maioria dos casos de nascimento de bebês com microcefalia).

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Elisa nasceu em 2016 e de lá para cá, Nadja cuida de sua filhinha quase sem o apoio que o governo havia prometido. Os remédios que Elisa precisa são tão caros, que nem a família inteira de Nadja consegue cobrir e ela tem que recorrer a doações de amigos.

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É também o drama de Francileide Lima, do interior do estado de Pernambuco. Quando estava com dois meses de gravidez de Rafael, recebeu a notícia de que seu bebê poderia nascer com microcefalia. "Eu achei que fosse uma virose, não pensei que poderia acontecer isso com meu filho". A cabeça e o cérebro de Rafael, a exemplo do que aconteceu com Elisa e com outros milhares de bebês, também não se desenvolveram.

Acompanhe a história de Francileide:

A carioca Pollyana Rabello recebeu no final do trabalho de parto, ainda entorpecida por conta da anestesia, a notícia de que Luiz Phillipe havia nascido com o distúrbio. "Mamãezinha, seu filho nasceu com microcefalia" , Ela ficou em choque. Pollyana contraiu Zika no oitavo mês de gestação e até hoje luta para cuidar das necessidades de Luiz Phillipe.

O que todas essas mamães têm em comum é a força, a garra, a persistência, a esperança frente ao abandono do governo e às dúvidas que ainda assolam todas as famílias afetadas. Nadja se entristece ao pensar que a filha sofre e que pode perde-la por falta de apoio. "É triste o que eu vou dizer, mas eu não consigo ver meu bebê passar dos três anos. Mas, eu não vou desistir um segundo de lutar por ela!", confessou.

No video abaixo, um panorama do que vem acontecendo com as mães pernambucanas e seus bebês afetados pelo Zika Virus:

Graças a Deus, o desastre não veio em todas as regiões do país. No entanto, no Nordeste do Brasil, existe uma proporção muito maior dos bebês afetados terem apresentações clínicas mais graves de microcefalia.

Ainda hoje, epidemiologistas e especialistas em saúde pública mesmo dois anos depois, não sabem explicar direito o que aconteceu entre 2015 e 2016. Houveram alguns avanços científicos significativos com o Zika: já existe uma vacina para o vírus e os cientistas mapearam a maior parte do caminho de como o Zika destrói o desenvolvimento neural fetal.

E ainda há risco de Zika no Brasil?

O clima mais quente aumenta a concentração dos mosquitos. Desde que o vírus Zika surgiu há três, os casos diminuíram, mas muitas pessoas se perguntam se ainda precisam considerar a doença transmitida por mosquitos ao fazer planos de viagem.

E a resposta é sim.  Apesar de pouco divulgado, ainda há o risco de epidemias de Zika voltarem a se espalhar, principalmente porque esse tipo de vírus também pode ser passado por prática sexual. Além disso, o combate ao Aedes Aegypti não é eficaz em todo o Brasil. Todos os anos, em determinados estados, surtos de dengue durante o verão são indícios de que outro surto de Zika pode vir a acontecer.

undefinedFang-Chun Liu / Shutterstock.com

 

Existem muitas outras doenças transmitidas pelo mosquito que as pessoas podem contrair, como chikungunya. Encontrar maneiras de se proteger contra picadas de mosquito é sempre uma boa prática de saúde pública.

Essas mães guerreiras, que se sacrificam para cuidar de suas crianças com tanto amor, merecem nossa solidariedade e orações e precisamos ficar atentos, porque o Zika ainda é uma preocupação.

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