Complicações na gravidez ativam genes da esquizofrenia na

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Complicações na gravidez ativam genes da esquizofrenia na placenta , revela novo estudo

Date June 4, 2018 18:48

Um novo estudo aponta que os genes de dentro da placenta podem sinalizar o risco do bebê ter esquizofrenia, um transtorno mental crônico que afeta a forma como uma pessoa pensa, sente e se comporta junto à incapacidade de compreender a realidade.

De acordo com pesquisadores do Instituto Lieber de Desenvolvimento do Cérebro, nos Estados Unidos, quando ocorrem complicações durante a gravidez, como a pressão alta, os genes da esquizofrenia na placenta são ativados e indicam que o órgão está sob coação.

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Este é o primeiro estudo que mostra que muitos genes associados ao risco de esquizofrenia parecem alterar indiretamente o desenvolvimento do cérebro da criança quando a saúde da placenta está comprometida.

Os estudiosos analisaram dados coletados de 2.800 adultos de quatro países da Europa e da Ásia, além dos EUA. Dos participantes, 2.038 foram diagnosticados com esquizofrenia.

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Após submeterem os participantes a testes genéticos e coletarem informações sobre o histórico de gravidez, os pesquisadores descobriram uma alta correlação de genes associados ao risco de esquizofrenia e uma história de complicações potencialmente graves na gravidez. 

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Pessoas que têm um alto risco genético e cujas mães tiveram complicações durante a gravidez apresentaram um risco cinco vezes maior de desenvolver esquizofrenia em comparação a indivíduos com alto risco genético semelhante, mas sem história de complicações obstétricas graves.

A partir daí, a equipe analisou a expressão gênica em amostras de tecido placentário múltiplo, incluindo amostras de placenta de gestações complicadas. Identificou-se, então, que, em mulheres com gestações complicadas, os genes da esquizofrenia na placenta foram ativados e, quanto mais eles eram ativados, mais a placenta mostrava sinais de estar sob estresse, por exemplo.

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"Pela primeira vez, encontramos uma explicação para a conexão entre complicações precoces da vida, risco genético e seu impacto na doença mental, e tudo converge para a placenta", disse Daniel Weinberger, principal pesquisador do estudo e CEO do Instituto Lieber.

Os pesquisadores descobriram que o número de genes da esquizofrenia ativados na placenta a partir de gestações complicadas era muito maior em placentas de crianças do sexo masculino do que crianças do sexo feminino. Ao mesmo tempo, dados apontam que as taxas de incidência de transtornos comportamentais são duas a quatro vezes maiores nos homens do que nas mulheres.

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"Os resultados surpreendentes desse estudo fazem da placenta a peça central de um novo campo de investigação biológica relacionado a como os genes e o ambiente interagem para alterar a trajetória do desenvolvimento do cérebro humano", disse Weinberger.     

O pesquisador espera que as próximas pesquisas tenham como objeto de estudo tratamentos terapêuticos e estratégias de prevenção para reduzir a incidência desses distúrbios comportamentais. 

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