O mercado cruel da beleza: Empresária morre após ter supercola injetada no corpo em procedimento estético ilegal

No mercado da padronização da beleza, qual o preço a ser pago para ter uma barriga chapada, os seios grandes, ou o bumbum empinado? 

O sonho de ter um "corpo perfeito" pode custar muito caro e se tornar um verdadeiro pesadelo. Para a microempresária Fernanda Assis, de 29 anos, isso lhe custou a própria vida.

Assim como muitas mulheres, a jovem carioca recorreu a procedimentos estéticos, mas fez isso de forma totalmente irregular e acabou morrendo. Fernanda se submeteu a um preenchimento nos glúteos e nos lábios em sua própria casa, na Zona Norte do Rio, com uma pessoa inabilitada, que não é medica: Danielle Cândido Cardoso. Também conhecida como "Dani Bumbum" ou "Dani Sereia", ela se entregou à polícia um dia depois de ter prisão temporária decretada pela Justiça.

De acordo com a Polícia Civil do estado, a microempresária, que passou mal dias após a intervenção estética, tinha edemas no corpo quando chegou ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, e morreu após uma parada cardiorrespiratória.

A equipe responsável pela investigação aguarda o resultado do laudo cadavérico para saber exatamente que produto foi aplicado em Fernanda, mas já há a suspeita de que a autora do crime usou uma espécie de supercola para evitar o vazamento de uma substância injetada no corpo da vítima.

Segundo o delegado Roberto Ramos, da 31ª Delegacia de Polícia de Ricardo de Albuquerque, bairro onde morava a microempresária, a vítima já tinha feito outro procedimento estético recentemente e, por isso, teria sido aconselhada a não se submeter a nenhum preenchimento em um espaço de tempo tão curto. A mulher que utilizou o produto no corpo de Fernanda sabia disso, mas, mesmo assim, optou por realizar a intervenção.

Quem registrou a morte da jovem na delegacia foi o namorado dela, Alex Fernando, que usou as redes sociais para desabafar sobre a perda da namorada: "Corpo cansado, pensando milhares de coisas, minha mente massacrada pensando em você a todo tempo", disse ele no Facebook.

Fernanda não é a única

Infelizmente, o caso de Fernanda não é raridade no Brasil. Só para se ter uma ideia, apenas em um hospital público do Rio, mais de 60 pacientes estão sendo tratados por terem se submetido a procedimentos feitos de maneira inadequada. Esse tipo de ocorrência acontece frequentemente e, em algumas situações, é preciso amputar o local onde foi feita a aplicação dos produtos, é o que afirma o cirurgião plástico Celso Boechat.

O mercado cruel da beleza: Empresária morre após ter supercola injetada no corpo em procedimento estético ilegalO mercado cruel da beleza: Empresária morre após ter supercola injetada no corpo em procedimento estético ilegalPhotomaxx / Shutterstock.com

Entre esses casos, um deles teve repercussão nacional recentemente: a morte da bancária Lilian Calixto, que sofreu complicações durante um preenchimento nos glúteos feito por Denis Furtado, conhecido como Doutor Bumbum, na cobertura dele. Lilian morreu após sofrer quatro paradas cardíacas no hospital. Desde então, o Disque Denúncia já recebeu mais de 50 casos sobre pessoas ou locais onde as técnicas são realizadas irregularmente.

E é exatamente por isso que precisamos falar sobre esse assunto, para estimular o surgimento de mais denúncias e conscientizar outras pessoas sobre o grande perigo de se submeter a intervenções ilegais.

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É preciso ficar atento

Com apenas uma busca na internet, é possível encontrar vários anúncios de serviços e cirurgias estéticas, acompanhados de imagens de pré e pós operatórios com o intuito de atrair novos clientes. Talvez você não saiba, mas esse tipo de propaganda é banida pela classe médica.

Outra informação da qual nem todo mundo tem conhecimento é que toda cirurgia, estética ou não, só deve ser realizada em um centro cirúrgico.

O mercado cruel da beleza: Empresária morre após ter supercola injetada no corpo em procedimento estético ilegalO mercado cruel da beleza: Empresária morre após ter supercola injetada no corpo em procedimento estético ilegalNasimi Babaev / Shutterstock.com

Caso queira passar por algum procedimento, tenha certeza de que o profissional que vai lhe atender é um cirurgião habilitado. Para se especializar na área de cirurgia, o estudante de Medicina precisam completar três anos além dos dois de residência médica. É possível consultar os nomes dos cirurgiões qualificados no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Não negocie sua segurança em nome da vaidade. Correr o risco de ser atendida por pessoas ou condições inadequadas por ter como fim necroses, perfurações de órgãos e até a morte. Sua vida tem um valor inestimável, dê a ela o cuidado que lhe é devido.

Fonte: Jornal Extra, Band

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