Mulher morre após ser torturada durante dois dias pelo namorado no interior de São Paulo

Há quem diga que o ciúme é uma demonstração de amor. Na verdade, ele está relacionado à insegurança e à necessidade de posse. Em muitos casos, o sentimento serve como um aviso de que algo não vai bem na relação e pode ser controlado, mas em outros, torna-se patológico ao ponto de causar consequências desastrosas.

Foi o que aconteceu na cidade de Miracatu, no interior de São Paulo. Eliomar Jesus do Nascimento, que se relacionava com Leonice Pinto de Oliveira há três anos, agrediu a namorada até a morte durante, pelo menos, dois dias. De acordo com vizinhos, eles viviam alcoolizados e brigavam muito por causa de ciúme. 

Mulher morre após ser torturada durante dois dias pelo namorado no interior de São PauloMulher morre após ser torturada durante dois dias pelo namorado no interior de São Paulo

Reprodução / G1 Santos

Quando chegou ao local do crime, um sítio no qual o suspeito era caseiro, a Polícia Civil encontrou o imóvel bagunçado e a mulher morta no chão da casa, desfigurada, com vários hematomas no corpo. 

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Eliomar começou a agredir a companheira no domingo e fugiu, na terça, para a capital paulista, onde foi retido por policiais militares e levado ao 26º Distrito Policial. Ao ser interrogado, o suspeito afirmou que as agressões entre os dois eram mútuas e que, quando saiu de casa, Leonice ainda estava viva.

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O agressor foi indiciado por homicídio, motivo fútil, tortura e meios que dificultaram a defesa da vítima. A Polícia Civil aguarda o laudo pericial para confirmar a causa da morte.

Casos como esse são chocantes, mas acontecem frequentemente. Segundo um levantamento feito pelo G1, só no ano de 2017, 946 mulheres brasileiras foram assassinadas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Isso sem contar o fato de alguns estados não terem fechado os dados até o momento da pesquisa, o que tornaria essa estatística ainda mais alarmante.

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Se a vítima é você

Se você está em uma relação abusiva, mas não consegue sair devido à dependência emocional e financeira, não se sinta culpada. Saiba que você não tem nenhuma responsabilidade pelas agressões que sofre e lembre-se: é importante pedir socorro para que a situação não se torne mais grave. Veja o que você pode fazer para superar esta realidade:

1. Converse com familiares, amigos ou vizinhos. Esse apoio é essencial para que você consiga se fortalecer e se desvincular do agressor.

2. Busque ajuda de um psicólogo. Isso fará você se sentir mais aliviada e consciente de suas emoções.

3. Procure atendimento em instituições de apoio próximas à sua casa, como Centros de Referência em Saúde da Mulher, ONGs, conselho tutelar e hospitais.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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4. Denuncie. Registrar a ocorrência é um dos seus principais meios de defesa, essencial para que as agressões não se repitam. Procure uma Delegacia da Mulher ou, se não houver uma onde você mora, vá à Delegacia de Polícia mais próxima. 

É possível denunciar também por meio da Central de Atendimento à Mulher, um serviço gratuito, confidencial e que funciona 24 horas por dia. Bastar ligar 180 ou enviar um e-mail para o ligue180@spm.gov.br

Vale esclarecer que, mesmo que não ocorra a agressão física, a ameaça em fazê-la já caracteriza crime e deve ser denunciada.

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5. Conheça seus direitos: segundo a Lei Maria da Penha, o Estado deve assegurar à vítima em situação de violência o acompanhamento de defensor público em todos os atos processuais, se assim ela desejar, e informá-la de todos os passos do processo, inclusive se o agressor for preso ou solto.

Em caso de risco de morte, ela pode solicitar a companhia de autoridade policial para retirar seus pertences de sua residência e transporte para ela e seus dependentes serem levados a um local seguro. Confira aqui outros mecanismos de proteção legal assegurados pela lei.

Se você conhece alguém que esteja nessa condição

1. Oriente a vítima a fazer a denúncia. Nem todo mundo sabe, mas a omissão frente à violência contra a mulher também é crime. 

2. Ligue 180. Ainda que a vítima não registre a ocorrência, qualquer pessoa pode denunciar uma agressão que tenha presenciado.

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Não feche os olhos para a violência doméstica. Sua denúncia pode dar fim ao sofrimento de uma mulher e salvar vidas.

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