Filhos de pais omissos: 7 consequências desse tipo de criação

Saúde e Estilo de Vida

December 23, 2017 20:01 By Fabiosa

O processo de criação é um complexo conjunto de ações dos pais com o objetivo de moldar o comportamento dos filhos. As manifestações, tais como o castigo físico e a leitura antes de dormir, podem ser muito individuais em cada caso concreto. Via de regra, uma boa educação exige muita força de vontade e pode custar bem caro.

Porém, existem os casos de quando os pais estão tão envolvidos com seus próprios problemas que as necessidades das crianças passam despercebidas. Essa criação pode ter como nome “criação feita por pais omissos” ou pouco participativos. Essa abordagem não ajuda no desenvolvimento da criança, além de causar inúmeras dificuldades na infância e até mesmo na vida adulta.

Como se dá a educação quando os pais são omissos

Elena Nichizhenova / Shutterstock.com

Os pais são pessoas adultas que concentram grande influência nas crianças. Eles são responsáveis por educar, ensinar, cuidar e controlar seus filhos.

Os psicólogos distinguem dois aspectos importantes na educação: a atenção (como os pais reagem às demandas das crianças) e a cobrança (o que eles exigem das crianças).

Atenção e cobrança determinam a ternura da relação e como os pais controlam o comportamento dos filhos.

Ao concordarmos com esses dois aspectos, o estilo de educação dos pais pode ser dividido em quatro tipos:

  1. Presentes: tanto na cobrança quanto na atenção;
  2. Comandantes: cobram muito, mas não costuma dar atenção;
  3. Permissivos: costumam dar mais atenção do que cobrar;
  4. Omissos: não costumam cobrar nem dar atenção.

De acordo com a pesquisa, uma atitude negligente tem um efeito bastante prejudicial sobre a criança. No caso dos omissos, os pais praticamente não reagem à criança e não exigem nada dela. Isso significa que eles não mostram seu amor ou carinho de nenhuma forma aparente. Esses pais estão constantemente ocupados com seus trabalhos ou vida pessoal, e parece que eles não têm absolutamente nenhum tempo para seus próprios filhos.

Os pais omissos ou não participativos são pais com elevados indicadores de indiferença e desinteresse para com os filhos. Em casos mais extremos, esses pais podem simplesmente rejeitar seus filhos ou mesmo ficar sem conversar com eles. Comumente, esses pais não se responsabilizam pelos filhos nem cobram qualquer coisa deles.

Esse tipo de educação pode ser considerado o mais perigoso de todos. Na maioria dos casos, a psicologia infantil costuma receber isso como algo extremamente negativo. De acordo com os especialistas, o fato de ser indiferente é muito pior do que ser autoritário, com as respectivas aplicações de castigos e privações.

Pais omissos ≠ Pais permissivos

O estilo de não se envolver muitas vezes é confundido com o daqueles pais que não costumam dar ordens ou impor um direcionamento; porém, entre os dois estilos há uma grande diferença.

Os pais permissivos são pais comumente mais responsáveis e menos exigentes. Nesse tipo de educação, os pais costumam deixar que as crianças definam sozinhas o ritmo de suas vidas e a sequência de atividades, partindo ainda pela máxima de tentar fugir de confrontações ou escândalos. Como seu principal elemento de controle, tais pais usam o controle positivo por meio de perguntas e comentários como “Você está bem?”, “Como você se sente?”, “Olha só, hoje foi bem melhor do que ontem!”.

Diferentemente dos pais que não costumam dar ordens, mas que se preocupam com o estado emocional de seus filhos, os pais omissos dão aos filhos apenas um teto para morar e nada mais!

Pais omissos: o impacto causado nas crianças

Maria Symchych / Shutterstock.com

Uma criança desprezada pode ter inúmeros problemas comportamentais. A falta de um comportamento adequado surge nas crianças devido à negligência dos pais, além de advir do fato de que essas crianças julgam mal seus próprios atos por não terem referências. Isso muitas vezes causa problemas, primeiro na escola e depois com a lei. As crianças negligenciadas frequentemente se juntam a grupos criminosos para poder ter a sensação de pertencer a algum conjunto, algo que elas não sentem quando estão em casa. Além disso, há uma série de outros problemas.

Veja as sete principais consequências para as crianças criadas por pais omissos:

1. Problemas de interação social

Os pais omissos não conseguem prover mais nada para os filhos além de sofrimento. Uma criança pequena aprende sobre interação social no ambiente mais próximo; assim, em uma casa onde a presença da criança é rejeitada, não é preciso dizer que nenhuma boa orientação pode sair disso.

A criança, por ser constantemente ignorada, passa a ignorar igualmente as outras pessoas. A falta de habilidades de comunicação pode torná-lo um marginalizado social ou levar a comportamentos antissociais

2. Insuficiência emocional, comportamental e cognitiva

Estudos mostram que a negligência dos pais (especialmente na infância) é extremamente prejudicial para o desenvolvimento geral da criança. Mesmo em comparação com crianças que foram abusadas fisicamente, as negligenciadas, muitas vezes, revelam distúrbios cognitivos, emocionais e comportamentais graves. Elas absolutamente não sabem como interagir com seus pares e parecem atrair todo o tipo de problemas.

3. Vitimização

Os pais desempenham um papel importante na prevenção de abusos. Os estudos mostraram que as crianças educadas por pais omissos geralmente são alvos de zombaria na escola pelos colegas ou em casa pelas irmãs e irmãos mais velhos.

O resultado da negligência por parte dos pais se manifesta muito mais fortemente nas meninas do que nos meninos.

4. Abuso de substâncias psicoativas

Está cada vez mais evidente que o apoio familiar é o fator decisivo para uma boa adaptação das crianças durante a infância e a adolescência. A evidência indireta mostra que a atenção dos entes queridos ajuda a reduzir as chances de abuso de drogas entre os adolescentes. É interessante que tal influência positiva possa ir além dos parentes diretos (por exemplo, mesmo os pais de um amigo podem se tornar bons exemplos!).

5. Desempenho acadêmico fraco

As crianças que são preteridas ou ignoradas pelos pais normalmente têm um mau desempenho na escola e durante toda a vida acadêmica. Exatamente, elas são as protagonistas dos piores resultados nas provas!

6. Depressão e ansiedade

A negligência também pode levar as crianças à depressão e a outros problemas mentais. Estudos mostram que a indiferença dos pais faz com que as crianças fiquem mais ansiosas e susceptíveis à violência física, gritos e abuso verbal.

7. Personalidade difusa

Um estudo sobre a percepção da criança a respeito da negligência e o controle dos pais mostrou que um estilo parental mais ausente deve ser visto como um fator de risco sério para transtornos mentais graves no futuro.

Diferenças entre os pais omissos e os permissivos

Como o passar do tempo, a diferença entre os estilos de criação fica mais evidente, especialmente na adolescência.

Apesar de as crianças que crescem em casas com pais permissivos passarem de forma mediana pela escola, no nível superior as coisas costumam melhorar. Esse tipo de educação cria uma autoestima elevada, boas práticas sociais e reduz os riscos de suicídio e depressão.

Já os adolescentes filhos de pais omissos costumam demostrar nervosismo e inclinação para estados depressivos e consumo elevado de álcool e de substâncias químicas. Além disso, eles apresentam dificuldades para se comunicar e têm um nível aprendizado defasado se comparados aos demais alunos.

É possível que os pais mudem suas ideias e estilo de criação?

Photographee.eu / Shutterstock.com

Muitos psicólogos consideram que uma criação com pais omissos é o tipo de educação mais pernicioso. No entanto, também se descobriu que os pais não fazem isso de propósito. Muito frequentemente, esses mesmos pais precisam de ajuda para resolver seus próprios problemas pessoais ou financeiros. Além disso, um especialista pode ajudar seus filhos.

Quando a negligência é um modelo já formado de educação, o trabalho de um psicólogo com os pais é necessário por 12 a 18 meses. Em outros casos, a intervenção pode ser mais intensa, porém por bem menos tempo.

Toda criança, desde aquelas que são bem pequenas até os adolescentes, deve ter a possibilidade de passar um tempo com os pais diariamente. Os criadores têm o dever de educar e orientar a criança para que ela siga o caminho correto, tenha êxito na vida e aprenda o que significa ter responsabilidade.

A indiferença por parte dos membros adultos da família prejudica o crescimento saudável da criança, além de prejudicar os aspectos emocionais. Por isso, os pais que ignoram seus filhos devem estar prontos para receber ajuda profissional e aprender a participar do processo de criação das crianças de forma mais ativa e positiva.


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