O problema do bullying nas escolas e formas de resolvê-lo

Saúde e Estilo de Vida

December 22, 2017 14:18 By Fabiosa

De acordo com as estatísticas, o bullying escolar, que é um tipo de bullying que ocorre em um ambiente educacional, acontece com cerca de 25 a 30% das crianças independentemente da idade. Esse problema pode ocorrer tanto em escolas do ensino fundamental quanto do ensino médio. Infelizmente, nem sempre é da mesma natureza, pois meninas e meninos, às vezes, classificam seus relacionamentos de maneira bastante brutal. A situação é muito pior quando esse tipo de bullying tem um caráter sistemático. Mesmo as crianças mais sociáveis ​​e psicologicamente estáveis muitas vezes se tornam vítimas de valentões. O comportamento impróprio de seus colegas, bem como daqueles mais velhos que eles, pode causar condições depressivas e deterioração geral da saúde.

As razões mais comuns para tais tipos de bullying são diferenças de aparência ou status e, em alguns casos, ele está relacionado com exercer a própria superioridade sobre um colega potencialmente mais fraco. Normalmente, a primeira etapa do bullying inclui a ridicularização e intimidação. No entanto, geralmente, a situação pode evoluir até chegar à aplicação da força física. Os insultos como um método de influência psicológica são principalmente manifestados verbalmente. Além disso, os casos de ciberbullying, com a ajuda das redes sociais, estão se tornando mais frequentes.

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Tipos e precondições do bullying

Para combater de forma eficaz esse fenômeno, você deve primeiro entender sua natureza e seus tipos. As crianças não nascem assim; elas agem desta forma como resultado de erros em sua educação. A primeira vez que uma criança mostra agressividade é por volta da idade de 1,5 a 2 anos. Os pais acreditam erroneamente que dessa maneira o filho aprende a se proteger. No entanto, a verdade é que as crianças inconscientemente sentem sua superioridade e até mesmo alguma impunidade. Elas começam a dominar a habilidade de intimidação com sua mãe e pai e depois aplicam esse tipo de atitude com seus colegas.

Em regra, elas escolhem cuidadosamente suas vítimas, que são geralmente aquelas que são menos confiantes e, ao mesmo tempo, têm medo de revelar aos pais ou professores o que está acontecendo. Na maioria dos casos, as crianças já sofreram bullying e preferem manter o silêncio para não piorar a situação.

Às vezes, tudo pode ser resolvido com segurança e sem interferência de adultos. Isso ocorre porque os primeiros conflitos são uma parte inseparável do processo de socialização da criança. Ainda assim, vale lembrar que o mundo moderno não aceita nem os agressores que se recusam a mudar as principais características de seu comportamento em uma idade mais consciente, nem as vítimas que nunca conseguiram sair dessa situação.

Existem alguns tipos de bullying. Saiba quais são:

1. Verbal

Esse tipo de insulto inclui provocações e xingamentos, como o uso de apelidos ou piadas sobre nomes ou sobrenomes. Esses fenômenos, aparentemente inofensivos, levam à intimidação, que ocorre na forma de ameaças de violência física, propagação de rumores e ataques à reputação.

2. Social

As crianças tendem a se dividir em grupos, o que é muito normal. No entanto, não é normal quando uma delas persuade as outras a não se comunicar com sua vítima por algum motivo. O bullying também ocorre porque os valentões sentem um desequilíbrio de poder. É por isso que eles usam os aspectos sociais de outra criança para constrangê-la constantemente e humilhá-la na presença das outras.

3. Físico

Este tipo de intimidação consiste não apenas no uso da força (empurrões e socos), mas também zombando dos bens pessoais da vítima em potencial. Dessa forma, os valentões acham engraçado esconder ou até mesmo danificar os livros e roupas de seus colegas, usar gestos desrespeitosos (por exemplo, cuspir), além de expressar seu desprezo e superioridade com a violência física. Em contraste com os tipos de bullying acima mencionados, este é bem planejado. Normalmente, os valentões, que podem estar em grupo grupo, esperam por sua vítima em um lugar calmo.

Como esse tipo de atitude afeta o estado psicopedagógico da criança

Ao experimentar a humilhação pública, os alunos são normalmente deixados sozinhos e podem se sentir das seguintes maneiras:

  • culpados por serem aqueles que os valentões escolheram como vítima;
  • desesperados por não serem capazes de resolver o próprio conflito;
  • com medo de frequentar a escola e medo ainda maior de ter que revelar suas experiências;
  • envergonhados e embaraçados por causa do isolamento social dos outros;
  • com medo do futuro devido ao constante crescimento de experiências negativas.

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Os motivos das crianças que praticam o bullying também não devem ser deixados de lado. Na maioria dos casos, a razão é a aspiração ao controle absoluto e uma das maneiras de lidar com a raiva. Também é possível que elas simplesmente desejem parecer mais fortes aos olhos dos outros. O motivo para isso é que essa é a única maneira de provar seu próprio valor. Além disso, no passado, elas podem ter sido vítimas de bullying e agora tentam se vingar de quem as ameaçava. No entanto, elas têm algo em comum: elas não entendem as consequências de suas ações. A razão para isso é que elas não foram ensinadas a respeitar os sentimentos dos outros. Alguns valentões ainda têm distúrbios de personalidade e não sentem reações sociais normais como sentimentos de culpa, empatia, compaixão ou remorso.

O que fazer se uma criança está sendo atacada?

Existem várias maneiras de envolver os pais, professores ou formadores no processo de resolução de conflitos. Afinal, o ofensor não pode planejar tudo em detalhes e é por isso que eles não conseguem adivinhar como os adultos souberam sobre seu comportamento.

Se você suspeita que uma criança tenha se tornado uma vítima de bullying, tente conversar com ela abertamente e fazê-la entender que o problema pode e deve ser tratado. No entanto, fazer isso só é possível se a criança concordar em ser absolutamente honesta e ajudar a entender a situação desde o início.

Existem duas soluções óbvias que os pais podem aplicar na maioria dos casos:

  • parar de reagir às ações dos valentões se o bullying for de natureza verbal;
  • ensinar a criança a se proteger, prestando mais atenção ao seu desenvolvimento físico.

No entanto, essas também não são soluções permanentes e pode causar um aumento na agressão do lado dos infratores ou o desejo de vingança, o que tornará a situação muito pior para todos.

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A Finlândia, que tem um dos sistemas de educação mais bem-sucedidos do mundo, possui uma abordagem interessante para esse tipo de situação. Especialistas em psicologia desenvolveram um programa especial altamente eficaz para prevenir o bullying chamado de KiVa (kiusaamista vastaan, que significa "contra a intimidação"). Além de uma palestra, ele também inclui um jogo destinado a preparar as crianças para defender as vítimas de bullying.

Esta abordagem inovadora baseia-se na introdução de aspectos interativos no ensino. As crianças lidam com esses fenômenos de forma prática controlando personagens de desenhos animados. Os alunos são apresentados com um modelo de situação em que precisam tomar uma decisão e apoiar sua escolha de defender a vítima. Existem alguns cenários para cada situação. Em particular, é dada atenção especial para ajudar a socializar a criança que sofreu bullying ao, por exemplo, se oferecer para se tornar amigo dela ou convidá-la para o seu grupo social.

Os resultados mostram que a Finlândia conseguiu reduzir os incidentes com bullying em 30% e aumentar a autoestima das crianças que sofreram os ataques. Agora, este método está sendo testado em outros países, incluindo EUA, Itália e Holanda.

O bullying é um dos problemas mais antigos e possui apenas uma solução, que é desenvolver um sentimento de empatia entre as crianças desde cedo. Não importa o quanto a criança aparente ser emotiva quando quer pegar seu brinquedo favorito de seu pai, que quer ensinar a ela como se proteger, pois é altamente possível que ela escolha esse método de comunicação com colegas e crianças mais velhas. Embora esta ferramenta não tenha se tornado generalizada nos sistemas educacionais, ela ainda pode ser aplicada por qualquer pai que deseja criar um ser humano decente.

Fonte: UPWORTHY, Psychology Today, ReachOut