A triste história de Mary Ellen Wilson: primeiro caso docum

A triste história de Mary Ellen Wilson: primeiro caso documentado de abuso infantil que marcou o início da luta pelos direitos das crianças

Família & Crianças

August 8, 2018 03:42 By Fabiosa

Entre as inúmeras maneiras pelas quais os direitos humanos podem ser violados, o abuso infantil é o mais triste de todos. Hoje em dia, leis especiais contra a crueldade contra as crianças podem proteger seus direitos e proporcionar-lhes um lugar seguro e pais adotivos cuidadosos, mas nem sempre foi assim. A Sociedade de Nova York para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças foi criada apenas em 1874, depois que o notório caso Mary Ellen Wilson chocou os Estados Unidos. Acredita-se que seja a primeira organização de proteção infantil já criada no mundo.

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A história da vida de Mary Ellen foi o primeiro caso documentado de abuso infantil nos EUA, que provocou mudanças importantes no sistema de leis do país

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A menina era filha de Frances e Thomas Wilson e nasceu em 1864 no bairro Hell’s Kitchen, em Nova York. Thomas Wilson foi morto na Guerra Civil e Frances, que teve que começar a trabalhar para seguir sua vida, tomou a decisão de entregar sua filha ao Departamento de Caridade de Nova York.

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A entidade encontrou os pais adotivos, Mary McCormack e seu novo marido Francis Connolly, que acabaram por tratar a menina com crueldade inacreditável. Os vizinhos foram os primeiros a perceber o quanto a garota era maltratada. Segundo eles, Mary Ellen foi forçada a trabalhar duro, repetidamente espancada, queimada, cortada e trancada no armário durante dias por seus pais adotivos. A pobre garota estava gravemente desnutrida e negligenciada. Ela não tinha roupas quentes para protegê-la do frio e só podia sair durante a noite com a condição de que ela permanecesse em seu próprio quintal.

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Graças a um vizinho compadecido, que suspeitava do abuso grave, o missionário metodista, Etta Angell Wheeler, foi solicitado a verificar a situação da criança. O vizinho fez com que a Sra. Conolly deixasse a casa para permitir que Wheeler testemunhasse as terríveis condições de vida de Mary Ellen, que tinha dez anos de idade na época. A menina estava descalça em pleno inverno e tinha vários cortes e queimaduras por todo o corpo.

A situação chocou Wheeler e ela começou a buscar maneiras legais de ajudar a menina, mesmo que não houvesse uma base oficial para proteger a criança abusada. Com a ajuda de um advogado da Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra os Animais, Mary e Francis Connoly foram levados a julgamento. Durante o depoimento no tribunal, Mary Ellen revelou:

Eu não sei quantos anos eu tenho. Não me recordo da época em que não morava com os Connolly. A mamãe tem o hábito de me bater quase todos os dias. Ela costumava me chicotear com um chicote torcido - de couro cru. O chicote sempre deixava uma marca preta e azul no meu corpo. Agora eu tenho as marcas pretas e azuis na minha cabeça, e também um corte no lado esquerdo da minha testa que foi feito por uma tesoura. Ela me golpeou com a tesoura e me cortou; Não me lembro de alguma vez ter sido beijada por ninguém - nunca fui beijada pela mamãe. Eu nunca fui pega no colo por minha mãe ou acariciada por ela. Nunca me atrevi a falar com ninguém, porque, se o fizesse, seria chicoteada. Eu não sei para o que eu fui chicoteada - mamãe nunca disse nada para mim quando ela me chicoteava. Eu não quero voltar a viver com a mamãe, porque ela me bate assim. Não tenho lembrança de passear nas ruas.

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Felizmente, a menina foi colocada em um lar seguro e, mais tarde, sob a custódia de Etta Wheeler. Aos 24 anos casou-se com Lewis Schutt e eles tiveram 2 filhos. Ela também adotou seus três filhos de um casamento anterior. Mais tarde, o casal adotou uma jovem órfã. Mary Ellen morreu aos 92 anos de idade.

 

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Sua triste história causou uma revolução no sistema legal americano e espalhou a conscientização sobre o abuso infantil.

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Atualmente, estudos revelam um fato chocante: cerca de 5 milhões de crianças sofrem abusos domésticos a cada ano nos Estados Unidos. É importante reconhecer os sinais de maus-tratos e relatar o caso às autoridades locais.

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Além da evidência de abuso físico, como hematomas, cortes, queimaduras, roupas rasgadas, fraturas que ocorrem com freqüência e não podem ser explicadas, e problemas médicos ou dentários não tratados, há sinais comportamentais que são mais difíceis de identificar. Eles são:

  • evitar qualquer contato físico;
  • medo de olhar nos olhos de alguém;
  • permanecer distante de todos;
  • estar alerta o tempo todo;
  • sinais de ansiedade;
  • vestir roupas inadequadas para o clima;
  • depressão;
  • problemas de estômago.

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Na maioria das vezes, os agressores são parentes próximos, de modo que as crianças raramente podem falar denuncia-los. É por isso que é fundamental intervir e tentar ajudar a criança, conscientizando as organizações especializadas que se dedicam em ajudar e proteger as crianças. Quando uma criança está em perigo, cada minuto conta. Denuncie!

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