Conselhos que os pais devem levar em conta na educação dos

INSPIRAÇÃO

Conselhos que os pais devem levar em conta na educação dos filhos para evitar fomentar o machismo

Date 24 de novembro de 2017

Sempre que pensamos na educação das crianças, fazemos isso de uma perspectiva transversal com o gênero. Não podemos ter a intenção de criar uma sociedade mais igualitária e livre de violência se em casa criamos príncipes galantes, que um dia poderiam violentar uma mulher. É por isso que a obra de um artista de performance, de origem portorriquenha, Pepón Osorio, incentiva certas ideias.

Pepón Osorio fez uma apresentação que chamou de “Na barbearia não se chora” (1994). Com esta obra o artista narra uma vivência: seu ritual de iniciação na masculinidade. Acontece que um dia seu pai o levou à barbearia, sendo ainda muito pequeno. Ele receberia seu primeiro corte. Ao entrar naquele espaço hostil, cheio de tesouras, navalhas, risadas e burburinho entre os clientes, Pepón se sentiu intimidado. O pequeno caiu em pranto. Seu pai, um macho caribenho, o olhou seriamente e lhe perguntou o que estava acontecendo e Pepón respondeu que tinha medo. Seu pai o sentenciou com uma frase que o introduziria de súbito no mundo dos homens:

Na barbearia não se chora.

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Contamos esta história porque nos parece ilustrativa de certos hábitos que reproduzimos na educação dos nossos filhos. Então, achamos que a educação dos rapazes deve começar de acordo com os critérios de dureza, indomabilidade, justiça e insensibilidade que se associam ao masculino.

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Como subverter, então, esta educação que semeia o machismo na nossa sociedade?

1. Chorar ou demonstrar afeto não é fragilidade.

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Mostrar afeto é necessário, não só para quem o recebe, mas para quem o transmite. Exigimos dos meninos desde pequenos que calem suas emoções e guardem seus gestos de afeto. Por que? Porque denotam fragilidade e, portanto, se associam ao feminino. Mas isso é totalmente errado. É necessário mostrar essa faceta da nossa humanidade para minar a ideia machista que está subjacente à vida.

2. Bater não é uma mensagem de amor.

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Também ensinamos aos meninos e meninas que o amor é demonstrado através da violência. Sim, não se assustem: todos já fizemos. Quantas vezes não repetimos: “se ele te tratou assim...se levantou sua saia, se puxou seu cabelo...é porque ele gosta de você”. Esta é uma ideia muito natural: os homens expressam seu carinho através de ator bruscos. Nada mais longe da verdade: o amor não é infringir a dor, é respeitar e se comprometer.

3. Obrigá-los a mostrar afeto é violar seus espaços e ensiná-los a fazer isso.

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Como pais devemos ser conscientes dos limites, mesmo quando se tratar dos nossos filhos. Devemos respeitar as decisões alheias. Educar não é obrigá-los a abraçar ou beijar alguém quando não querem. Educar é apresentar os argumentos, mas respeitar as diferenças. Se os obrigamos a mostrar afeto, no futuro eles farão o mesmo e esperarão receber carinho, mesmo quando sua noiva ou esposa não quer. Não criemos homens rudes, eduquemos homens respeitosos.

Lembre-se que o machismo começa no berço, com a educação que recebem em casa. Nós, como pais, somos responsáveis pelos homens do futuro. Não podemos criar meninos vaidosos e rudes e esperar que renasçam homens conscientes. Às vezes mudar a ordem das coisas está nas nossas mãos, só devemos estar atentos ao que transmitimos.