César Millán, “o encantador de cães”, explica por que

César Millán, “o encantador de cães”, explica por que não se deve humanizar os animais de estimação

Animais

October 4, 2018 14:52 By Fabiosa

Há muitos anos conheci uma senhora que tinha uma dezena de gatos na sua casa. Todos vagavam pelos quartos de forma altiva e como se fossem os donos do lugar. A senhora os vestia, os ninava na hora da sesta, escutava o rádio com eles, dormia com todos em cima da sua cama e até jantava na mesma hora que os felinos. Ela comemorava o aniversário de todos eles com bolo, piñatas e música. E, como se não bastasse, cada gato tinha uma poltrona própria. Quando alguém visitava a casa, devia respeitar cada uma das poltronas.

Phatthanun.R / Shutterstock.com

Ainda que parecesse um excesso, nunca julguei seu comportamento. No entanto, há pouco li algo que me fez refletir sobre essa tendência que temos em humanizar quase tudo, até mesmo outros animais. Por que é ruim tratar os animais de estimação como se fossem seres humanos?

RECOMENDAMOS PARA VOCÊ: Este cãozinho superdedicado fez de tudo para pedir ajuda e salvar seu tutor!

Um dos especialistas em cães mais famosos em razão dos seus programas televisivos e sua ampla presença nas redes sociais, César Millán explicou que a humanização dos animais é uma forma de maus-tratos, mesmo quando não é consciente nem voluntária. Por quê? A razão é muito simples: porque cedemos atitudes, hábitos e expressões aos animais que não são próprios deles e assim geramos um problema de identidade – teríamos que nos perguntar se falar de identidade em cães e gatos também não é um reflexo da humanização.

Segundo César, os cães e os gatos se sentem frustrados e inseguros e criam uma forte dependência dos humanos. Tudo isso atenta contra a própria identidade do animal. Além disso, o especialista disse que hoje é muito mais comum encontrar problemas psicológicos nos cães do que cinquenta anos atrás.

fongleon356 / Shutterstock.com

A questão polemizou tanto que ultrapassou até o âmbito legal. O advogado Gary Francione mostrou que impor critérios estéticos aos animais de estimação pode ser ofensivo, pois não se reconhecem as necessidades próprias de cada animal. Em outras palavras, nada de levar seu animal de estimação para ser penteado nem enchê-lo de óleos, perfumes ou qualquer outro produto, muito menos colocar vestidos, camisetas, laços e gravatas: os bichinhos não são o Sr. e a Sra. Smith.

Segundo alguns estudos, esta tendência de humanizar os animais de estimação é relativamente nova e se deve a vários fatores:

1. Cada vez há menos famílias com filhos, e a presença dos bebês é substituída pela dos animais de estimação.

vectorfusionart / Shutterstock.com

2. Cada vez há mais pessoas voltadas à sua realização profissional, que não formam uma família: não se casam nem se juntam. Por isso, o bichinho é o acompanhante no lugar da esposa/esposo.

3. Os hábitos da nossa sociedade tendem cada vez mais à individualidade e ao isolamento. Para mitigar a solidão, direcionamos o afeto aos animais, mas em excesso.

Se você notar que seu animal de estimação está muito agressivo, urina dentro casa, destrói tudo que encontra por onde passa ou se comporta de forma anômala, você deve considerar um possível ataque de pânico ou transtornos de identidade.

RECOMENDAMOS PARA VOCÊ: Ela subiu e nunca mais desceu! Gatinho que vive em árvore há quase 2 anos vira atração turística e forma família nas alturas