Testemunhar as discussões dos pais: como isso afeta a saúde emocional das crianças

Saúde e Estilo de Vida

March 16, 2018 06:44 By Fabiosa

Uma das piores lembranças da infância é a briga entre os pais. Quando você é uma criança, os pais são a referência máxima de proteção e cuidados que existe na mente; portanto, é inconcebível para elas que essas duas figuras estejam gritando e se ofendendo. Sua resposta emocional ao cenário é a mais natural: o medo.

Embora possa não parecer assim, uma discussão na frente das crianças não é apenas um momento ruim: os confrontos deixam uma marca na memória delas. De acordo com especialistas, não é apenas prejudicial ver os pais brigando e se insultando, mas também afeta a capacidade das crianças de reconhecer e controlar suas próprias emoções.

RECOMENDAMOS PARA VOCÊ: Gritar com os filhos pode ser extremamente prejudicial

De acordo com um estudo realizado pela Escola Steinhardt de Cultura, Educação e Desenvolvimento Humano da Universidade de Nova York, a resposta emocional das crianças é moldada negativamente devido à agressão física ou verbal dos pais; isto é, expor a criança a esse tipo de situação altera sua capacidade de identificar e controlar suas próprias emoções.

Os pesquisadores chegaram a suas conclusões por meio de avaliações de 1.025 crianças que tinham de dois meses para quase cinco anos. Eles visitaram suas casas, entregaram questionários aos pais e atribuíram tarefas diferentes a todos os membros da família com o objetivo de medir o caos familiar.

Em 58 meses, os pesquisadores examinaram a capacidade das crianças de reconhecer e identificar suas emoções corretamente e descobriram que aquelas expostas a mais agressão entre os pais eram menos capazes de identificar os próprios sentimentos. Na verdade, quanto mais tempo na presença de discussões, mais difícil era controlar as sensações de abandono, tristeza e medo, o que se traduz em um maior risco de sofrer depressão e ansiedade mais tarde.

No entanto, talvez as discussões entre casais sejam a coisa mais normal do mundo e, embora muitas pessoas tentem controlar e debater as questões privadas longe do alcance das crianças, outras não conseguem impedir o impulso de explodir no ato. Porém, é importante colocar-se no lugar da criança, com a capacidade de compreensão que se pode ter naquela idade, porque, embora para adultos seja simplesmente uma troca de perspectivas acaloradas, para elas pode ser o fim do mundo.

Isso pode levá-las a tirar conclusões precipitadas e gerar confusão porque, sejamos sinceros, a separação dos pais é sempre a primeira hipótese nas mentes dos pequeninos.

Muitos devem ter passado pela situação comovente em que, no meio de uma discussão acalorada em frente das crianças, uma delas diz "por favor, não briguem mais". Neste ponto, devemos esclarecer que, embora alguns digam que nem todas as discussões devam ser evitadas na frente das crianças, para ensiná-las a gerenciar o conflito, é importante enfatizar que uma coisa é debater e outra coisa muito distinta é agredir ou ofender.

Se o mal já está feito e as crianças testemunharam uma grande briga, é fundamental tranquilizá-las para que elas saibam que tudo está bem. A comunicação com elas é a melhor maneira de construir uma confiança com base sólidas. Se a discussão for temporária, devemos explicar a elas que isso é normal em um casal e que isso não acaba com o amor da casa. Além disso, também é aconselhável pedir desculpas por ter explodido na frente delas.

Se, por outro lado, a situação já está incontrolável, então uma boa recomendação seria procurar um especialista, que pode lidar com o assunto com mais habilidade. Em qualquer um dos casos, discutir na presença das crianças as afeta muito, confundindo-as e prejudicando sua capacidade de gerenciar os próprios sentimentos, que estão ligados ao desenvolvimento da expressão emocional e da inteligência, um elemento que, como sabemos, é fundamental para a vida.

Fonte: Bebés y Más

RECOMENDAMOS PARA VOCÊ: Mulher perde a vida em acidente para salvar os filhos e seus órgãos são doados para salvar ainda mais crianças


O material deste artigo é destinado apenas a fins informativos e não substitui o conselho de um especialista devidamente habilitado.