M pelo Mundo: jornalista fundou o primeiro portal para mulhe

INSPIRAÇÃO

M pelo Mundo: jornalista fundou o primeiro portal para mulheres viajantes e dá dicas de como viajar sozinha

Date March 1, 2018 15:09

É impactante quando alguém cria uma ideia do zero e ela faz muito sucesso justamente por ser algo que muitas pessoas estavam precisando, mas ninguém havia pensado como resolver esse dilema.

Foi assim que a jornalista paulistana Nathalia Marques, 25 anos, criou em 2015 o M pelo Mundo; o primeiro portal brasileiro para mulheres viajantes, que dá dicas de como desbravar sozinha (ou acompanhada) esse universo tão incerto para o gênero feminino.

Em sua descrição, a plataforma ressalta que viajar para mulheres é totalmente diferente do que ter essa experiência tendo nascido homem. "Quando uma mulher decide viajar tem que enfrentar diversos desafios que estão ligados à fatores culturais, machismo e insegurança", destaca o texto que descreve o M pelo Mundo.

A ideia da jornalista era fomentar uma rede de colaboradoras para dividir notícias, experiências e dicas para as mulheres que pretendem se arriscar nesse mundão e viajarem sozinhas, ou com as amigas (os), filhos e até mesmo com os companheiros (as). O objetivo final é concentrar o máximo de informações possíveis para facilitar a vida das viajantes.

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O M pelo Mundo hoje já concentra informações sobre viagens nacionais e internacionais, melhor forma para fazer intercâmbio e, aproveitando a questão do empoderamento feminino, todas as colaboradoras auxiliam a garantir o debate sobre igualdade de gênero cada vez mais evidente e presente em temas que tenham a ver com o turismo.

Uma das primeiras preocupações do M pelo Mundo, é lidar com as questões mais pertinentes para a viagem de mulheres sozinhas: medo, machismo, autoconhecimento, etc. Em uma publicação em sua plataforma, Nathalia levanta um dado interessante:

"O Brasil está em terceiro lugar onde mais mulheres viajam sozinhas, segundo o AirBnB", mas dando sequencia à informação, a jornalista fala do principal problema: "Mas, ainda têm muitas mulheres que têm medo, né? Dá para perceber isso pelo Facebook, até conversando com mulheres ao nosso redor... Isso é meio que um tabu, porque ainda existe muito medo."

Quando você descobre que sua vida é na estrada, a única alternativa é seguir.

Uma publicação compartilhada por Nathalia Marques (@lachicaqueviaja_) em

É bem complicado lidar com o medo de se aventurar sozinha, principalmente quando se trata da primeira experiência. É algo que demanda um esforço enorme além de muita coragem, mas a jornalista garante que não é impossível e utiliza a própria vivência para auxiliar as mulheres que querem curtir uma viagem (ou várias).

1. Criar Confiança

Nathalia conta que a primeira coisa a ser feita pela mulher é criar confiança. É difícil dar o primeiro passo e se ele for longo demais, pode ser traumático. "A gente tem que ir por passos. Porque é chato você viajar sozinha, com muito medo, e ficar travada. Você vai acabar não aproveitando o que deveria", então Marques frisa que é bom começar com coisas pequenas até que a segurança venha:

"Ah! Vai no cinema sozinha! (Se você for de São Paulo) Vai à praia, tão aqui do lado... 40 minutos se você estiver no centro; passa um final de semana! Vai para uma cidadezinha pequeninha. Vai começando devagar até você pegar mais confiança e poder fazer uma viagem internacional!"

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2. Pesquisar muito sobre o destino

"Eu costumo falar que eu sou muito paranoica!", brinca ao citar que faz tanta investigação sobre o destino que acaba descobrindo coisas que os nativos nem sabem. A jornalista conta em que saber de cada detalhe sobre os costumes, rotinas e principalmente locais que podem ou não ser visitados, pode salvar a viajante de entrar em maus bocados. E esse conhecimento não se restringem ao antes, mas ao durante também!

É possível encontrar locais ótimos para mulheres frequentarem, fazendo uma boa pesquisa; coisa que muitos nativos não fazem a mínima ideia.

3. Avaliar os destinos mais seguros para mulheres

Apesar de não ser algo muito justo, afinal de contas, as mulheres deveriam poder ir para onde bem entenderem, existem pesquisas que avaliam a relação de como as mulheres são tratadas na sociedade - principalmente as estrangeiras - e fazem listas sobre os melhores e piores destinos para mulheres viajarem.

"Eu não vou para um destino que não é seguro para mulher. Eu prefiro um destino que me passe mais segurança. Que eu sei que tenha um índice de criminalidade menor, etc.", frisa a jovem, lembrando que existem países onde a questão sobre o machismo nem é discutida socialmente, prejudicando a mulher - ainda - em todas as instâncias.

4. Cheque as avaliações e comentários sobre hospedagens

Aproveite ao máximo o bom e atual Google. Verifique todos os comentários mais relevantes e as avaliações sobre as hospedagens que você pretende ir e ficar para que não seja surpreendida com, por exemplo, um corte repentino de água ou a falta de Internet.

5. Não chegue no destino à noite

Em entrevista ao Worldpackers, Nathalia decidiu dar, como ela mesmo citou "um conselho de mãe": não chegue em um lugar completamente desconhecido ao anoitecer. Uma questão que envolve completamente sua segurança e integridade física.

6. Compartilhe seus passos com pessoas confiáveis

Existem aplicativos além dos habituais que todos os bons brasileiros utilizam (incluindo o Whatsapp) que podem compartilhar a localização com familiares e amigos. É bom ter essa carta na manga e usá-la sempre. Uma dica da jornalista e fundadora do M pelo Mundo é o app Life 360. O programa compartilha sua localização, funcionando exatamente como GPS, mas com a diferença que o faz em tempo real.

Outras informações que devem estar à mão de pessoas confiáveis: nome e número de contatos importantes feitos, endereços a visitar/visitados (e dos locais onde hospedou/irá se hospedar), todos os check-in e check-out, etc.

7. Beba com moderação

Ainda ao Worldpackers, a jovem aconselhou a não exagerar nas bebidas alcoólicas. Se você curte beber, segure a onda! Estar num lugar totalmente desconhecido e sozinha não combinar com perder o controle dos sentidos. Segurança em primeiro lugar!

8. Um smartphone com acesso à Internet é um dos seus melhores aliados

Não deixe, em hipótese alguma, seu smartphone sem acesso à Internet. Sempre lembre de comprar um pacote de dados que te atenda bem. Ficar incomunicável não é uma opção quando se está conhecendo outro país sozinha.

9. Parecer turista não é uma boa ideia

Com experiências compiladas no M pelo Mundo de cerca de 30 colaboradoras, Nathalia falou com segurança ao Worldpackers que não dá para chegar numa terra estrangeira e fazer cara de que é a primeira vez que está ali, pode chamar a atenção de oportunistas. Evitar fotografar o tempo todo e caminhar com segurança afasta essa percepção.

10. Não peça informação a qualquer UM

O artigo indefinido frisado em CAPS LOCK não foi à toa. Sempre que possível, procure uma mulher e se informe com ela. Você vai evitar duas coisas: o sentimento de insegurança e, principalmente, o assédio.

11. Matemática básica das visitas a locais remotos: quanto mais distante e menos habitantes, mais pessoas devem estar ao seu lado

Se junte a grupos quando pretender visitar locais ermos. Dê uma pesquisada e com certeza você encontrará alguma agência especializada em turismo que oferecerá algum tipo de serviço nessa questão.

12. Curta

Ao Worldpackers, Nathalia até reflete como deve ser difícil relaxar depois de tantas dicas e cuidados, mas ao mesmo tempo ela enfatiza o quanto é libertador viajar sozinha. O empoderamento causado pelo fato de poder ir conhecer locais novos, novas culturas sem a necessidade de depender de alguém, é uma experiência incrível.

Em sua mais nova publicação, Nathalia esteve no México e fala que sua primeira intenção era ter ido viajar sozinha, mas fez um grupo empoderado de garotas que estavam viajando sozinhas e que de repente tudo tomou uma proporção maravilhosa! "Não precisamos necessariamente estar só quando viajamos sozinhas. Podemos contar umas com as outras e essa união é linda!"

Visite o M pelo Mundo, pegue essas (e todas as dicas) e aproveite as experiências desta jornalista que fundou o primeiro portal para mulheres viajantes - além das vivências de todas as colaboradoras!

Incrível ideia!

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