Mãe solteira, chefe de família, trabalhadora, mártir e injustiçada: esse é o perfil d

FAMÍLIA & CRIANÇAS

Mãe solteira, chefe de família, trabalhadora, mártir e injustiçada: esse é o perfil da brasileira que mais cresce e deveria ser homenageada todos os dias

Date March 8, 2018 16:23

Fátima de Andrade tem 46 anos e é natural de Salvador, Bahia, onde mora. É a provedora da casa e foi a base para os seus 6 filhos; o mais velho é um jovem de 22 anos, desempregado e a caçula tem 15 anos. Dos 3 companheiros que teve na vida, apenas o último mantém contato com a adolescente, mas não presta auxílio financeiro algum. Operadora de caixa num supermercado, ela faz bico como doméstica aos fins de semana, além de realizar os afazeres domésticos.

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Maria Aldenize tem 56 anos. Viveu sua infância e adolescência no Rio de Janeiro, mas hoje reside no estado de Pernambuco. Enfrentando todas as incertezas promovidas pela atual situação do Brasil, ela não deixa o desemprego a esmorecer. Correu atrás de toda a sorte de funções e empregos, desde corte e costura, estofado, confecções à venda, empreendedorismo e tudo o mais que for possível para manter a família e a casa unida. Mãe solteira e chefe de família desde que se entendeu por gente, é mãe de três filhos, tendo a mais velha quase 40 anos de vida e o mais novo 21 anos. Na realidade, ela sempre nunca deixará de ser mãe de quatro filhos... Infelizmente, esse  quarto era o mais velho e foi assassinado há cinco anos.

Tantas histórias como a da capixaba Geni Maria de Jesus, 55 anos, que é agricultora e mãe de seis filhos; da paulistana Deise dos Santos, 24 anos, auxiliar administrativa e mãe da linda Maria Cecília de três anos; ou da andreense Ana Clara de 30 anos, assistente jurídica e tem um casal de filhos... Todas essas mulheres são mães solteiras, guerreiras, trabalhadoras, chefes de família (mantém a principal fonte de renda de uma casa), algumas ainda tomam conta das próprias mães, outras cuidam dos filhos de seus filhos e todas se sacrificam dia após dia para que o nosso país se mantenha firme no local mais importante: o seio familiar.

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O crescimento desse perfil ficou ainda mais evidente nos últimos anos. Para a economia, um salto de 40% no percentual de mulheres que faz o país progredir cada vez mais. Para a sociedade, ainda são mulheres injustiçadas, perseguidas e não valorizadas da maneira que deveriam realmente ser.

As coisas vêm mudando pontualmente e gradualmente, mas a passos lentos. Não é possível citar apenas o quanto as ações femininas no mercado de trabalho vêm mudando a economia nacional (corrigindo distorções históricas - principalmente referente à desigualdade em relação às posições e aos salários) sem falar do papel familiar que é a estrutura para sociedade.

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O número enorme de mulheres de várias faixas etárias, mas que enfrentam o mesmo drama, mostra que o machismo ainda é muito presente, jogando o ônus de ter que se desdobrar em várias apenas por "ter nascido mulher". É ela quem tem que encarar o papel de mãe, dona do lar, chefe de família, base ética e moral... E ainda ter que se contentar com uma flor no dia 8 de março e ouvir que é "o sexo frágil" ou muito pior: "engravidou porque quis", "se está solteira, motivo tem" e "não faz mais que obrigação de mulher" ao fazer os afazeres domésticos e cuidar dos filhos.

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Por respeito a cada Maria, Ana, Fátima, Geni, Deise e todas as milhões de guerreiras do Brasil, as reflexões sobre o papel dessas mulheres fortes, que levam o país nos ombros, deveriam acontecer 365 dias por ano.

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