No meu tempo havia canção - por que não se faz mais músicas como antigamente?

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No meu tempo havia canção - por que não se faz mais músicas como antigamente?

Date 17 de janeiro de 2018

As coisas andam muito aceleradas e isso é uma verdade que não dá para se ignorar. Quando olhamos para o passados, sentimos uma onda de nostalgia enorme e nos pegamos pensando "no meu tempo era diferente". Uma exemplo disso é a maneira como a música é feita e nos é entregue hoje em dia.

No meu tempo era assim: era preciso sentar na frente do rádio e esperar horas até tocar a musica que queríamos ouvir. Parece uma chatice sem tamanho, mas éramos praticamente obrigados a ter a mente aberta para a programação.

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Ouvia as músicas ruins, as boas e as minhas. As músicas populares eram feitas com esmero, com poesia e cuidado na letra. A maioria dos estilos (pagode, musica pop, samba, mpb, sertanejo) tinha uma história para contar em suas canções. É isso: no meu tempo havia canção!  Hoje em dia só temos música - e raramente encontramos uma boa o suficiente.

Fitas K7 e LPs

Muitas vezes, eu separava uma fita K7 (cassete) e preparava no meu aparelho de som para que pudesse gravar minhas músicas favoritas. Esse milagre era possível por causa do Toca FItas K7, uma engenhoca que hoje em dia não faz o menor sentido para os mais jovens.

Eu tinha que ficar esperando o radialista apresentar as músicas e colocar para gravar no momento correto - com todo o cuidado para que não entrasse a propaganda no começo ou no final da música, nem a voz do locutor -. Muitas vezes, quando eu ouvia minha coletânea de músicas românticas, um jingle com o nome da Rádio era cantado durante quase todas as faixas.

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Na minha fita com músicas internacionais era possível ouvir o rei do pop Michael Jackson (Billie Jean), a incrível Whitney Houston (Greatest Love Of All, I Will Always Love You) todos os artistas no USA for Africa (We Are The World), a voz única de Stevie B (Because I Love You), até mesmo o os roqueiros do The Police (Every Breath You Take), e o dueto lindo de Diana Ross & Lionel Richie (Endless Love). Aliás, algumas rádios românticas traduziam esse dueto simultaneamente, fazendo muita gente suspirar com o "Amor Sem Fim".

Eu também tinha uma com todas as melhores músicas brasileiras da época:

Ritchie cantava à "Menina Veneno"; Cazuza falava de um amor "Exagerado"; Lulu Santos dizia que tudo passava "Como Uma Onda", Roupa Nova falava de amor e dança em "Whisky a Go Go".

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O rei Roberto Carlos falava sobre os "Detalhes" nos relacionamentos entre um casal e conquistava com "Como Vai Você"; Tim Maia queria que o mundo inteiro pudesse ouvir o "Azul da Cor do Mar" e sempre se declarava com "Gostava tanto de você". Wando seduzia com "Moça", enquanto Jane & Herondy pediam com o apelo dos apaixonados "Não se vá".

Vanusa fazia com que a solidão fosse palpável com as "Manhãs de setembro" e Hyldon fazía-nos sonhar que o amor de verdade está conosco "Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda" e em qualquer lugar.

Nas fitas de um estilo, o sertanejo que falava das reais dores de amor:

Zezé Di Camargo & Luciano falavam (É o amor), João Paulo & Daniel (Estou apaixonado), Chitãozinho & Xororó (No Rancho fundo), Leandro & Leonardo (Um sonhador), Rick & Renner (Ela é demais) entre tantos outros que nos faziam realmente pensar no que era sentir.

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Mesmo o pagode, samba, rock, hip hop, nenhum desses ficava atrás quando falava sobre amor, paixão e as coisas que nos faziam sentir uma canção de verdade. Dava gosto de comprar LPs (Discos de Vinil) dos nossos artistas favoritos, colocar na vitrola e ouvir com prazer e satisfação.

Não se faz mais música como antigamente

No meu tempo, apesar das dificuldades tecnológicas, era possível sentir as canções. Hoje em dia, parece que quanto mais rápida, mais rítmica, mais impactante e polêmica e principalmente, mais facilmente esquecível for uma música, melhor. A prova disso é que mesmo jovens tem uma queda por muitos cantores e compositores que já se foram.

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Com certeza, é mais prático ter um smartphone com a possibilidade de tocar milhares de músicas - e não ter que carregar fitas K7 por aí para salvar suas listas de músicas -, mas fica a impressão que tirando a tecnologia para tornar tudo mais prático, hoje em dia é difícil fazer algo com a qualidade que havia no meu tempo.

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