Após 34 anos sem estudar, pai faxineiro volta à escola pú

INSPIRAÇÃO

Após 34 anos sem estudar, pai faxineiro volta à escola pública e é aprovado com a filha em universidade federal

Date February 24, 2018 16:57

Depois de ficar afastado 34 anos dos estudos, João Monte decidiu voltar às salas de aula, dessa vez na companhia da sua filha, Ester Ferreira. Os dois foram companheiros até o fim e um dia se tornarão engenheiros. Eles acabam de ingressar na Universidade Federal do Ceará: ela para o curso de Engenharia Ambiental e ele, para o de Engenharia de Petróleo.

Os dois são de família indígena e vivem na comunidade formada pelos índios Tapeba, em Caucaia, no Ceará. O pai de família e auxiliar de serviços gerais comemora hoje o marco de uma nova etapa na sua carreira.

João conta que nem pensava em fazer faculdade, pois acreditava ser algo quase impossível, e que havia concluído o ensino médio com a intenção de conseguir um emprego, já que esse é um requisito bastante exigido pelas empresas. Durante a infância, estudava em escola pública e teve que trabalhar na roça. Anos depois, com o incentivo da família e dos amigos, retornou aos estudos. Tanto ele como a filha estudaram em escola pública.

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Não foi um processo fácil, mas João dedicou-se por seu objetivo:

Em casa, eu estudava com a Ester até mais de meia-noite, tentando entender alguma dúvida vinda da sala de aula. Nessa idade, é mais cansativo, mais difícil. Mas conseguimos juntos e terminamos juntos.

Segundo a coordenadora da escola, o futuro engenheiro demonstrava ser mais interessado e assíduo que os próprios jovens.

Como reflexo disso, veio a aprovação. Junto ao resultado na prova, João recebeu o benefício das ações afirmativas para a população indígena e estudantes de escolas públicas. E o dia da matrícula foi cheio de emoção e risadas, é o que revela a filha:

Foi muito emocionante até porque pensaram que o meu pai estava só me acompanhando. Foi divertido.

Infelizmente, João está receoso quanto a ter que trancar a faculdade caso não receba assistência estudantil, pois trabalha em uma instituição pública e o curso de engenharia é integral. Enquanto não tem um retorno, ele segue feliz e ansioso com o início das aulas.

Ainda nem caiu a ficha. (…) Acho que só vou acreditar quando entrar na sala de aula, no primeiro dia mesmo. Tô ansioso. Penso na glória do final, em conquistar uma carreira. Já me considero um grande vitorioso, em chegar até aqui.

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