Elas são caminhoneiras youtubers e retratam suas rotinas e

INSPIRAÇÃO

Elas são caminhoneiras youtubers e retratam suas rotinas e desafios nas estradas

Date March 6, 2018 13:15

De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), elas ainda são uma parte pequena nas estradas. São 200 mil mulheres caminhoneiras para mais de um milhão de homens caminhoneiros e três Sheila, Anailê e Patrícia fazem parte dessa pequena parcela e retratam as suas rotinas na estradas como youtubers.

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E elas não se livram de nada, enfrentam todos os desafios e perrengues que qualquer profissional estradeiro encara no dia-a-dia, como pneu furado, chuva, cozinhar em um caminhão e, ainda, se dividir entre a estrada e a família.

Sheila Bellaver é uma gaúcha de 35 anos e, em seu canal, tem mais de 300 mil inscritos e vídeos com mais de um milhão de visualizações. Com quatro filhos, ela roda o país carregando frutas e verduras.

Ela relata, que a inspiração em virar motorista de caminhão veio da infância vivida no meio da lavoura e que fez a profissão ser uma paixão. Mas nem imaginava que seria caminhoneira e, no início de carreira, enfrentou preconceito.

“Meu marido não admitia que eu sonhasse, falasse de caminhão. Para ganhar um pouco de independência, comecei a trabalhar de costureira. Mas, no dia seguinte, fui me inscrever na autoescola para tirar a carteira de habilitação, primeiro para carro e depois a de caminhão. Busquei me aprimorar para conseguir um emprego e, mesmo assim, não conseguia uma chance. Acabei ficando deprimida. Ninguém queria dar oportunidade, jovem, corpo bonito, 3 filhos pequenos”, conta. Sheila, que hoje relata tudo em seu canal.

Anailê Santos Goular ou Anailê do Jacaré (por conta de seu Scania L110), tem somente 28 anos e é apaixonada pelas estradas. Ela e o marido dividem a profissão e carregam contêineres pelas estradas do Espirito Santos. A motorista dirige um caminhão 1980, que é emprestado pelo esposo e com 130 mil inscritos, ela conta um pouco da sua rotina no Youtube.

“A paixão pelos caminhões surgiu por acaso. O primeiro motivo foi ganhar mais dinheiro, como secretária e motoboy, no caso do meu marido. Ele foi primeiro e depois quis eu experimentasse o volante. Eu tinha muito medo e o mais difícil era a pressão das pessoas me olhando. Hoje estou feliz, pois não tenho o patrão em cima”, diz a motorista, que é mãe de um bebê de 2 meses, outro de 2 anos e um de 6 anos.

Bem longe do Brasil, a caminhoneira Patricia Barreira, de 41 anos, vive em Portugal há 17 anos e, junto com o marido, cruza a Europa com um caminhão frigorifico. “Na real, para quem pensa que a vida rodando por Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, etc, é puro "glamour". Muitas vezes não dá tempo nem de parar para almoçar e a comida é feita com o caminhão em movimento mesmo” conta.

Patrícia e o marido são contratados para revezarem a direção. “Somos contratados como um casal, para se revezar na direção de um caminhão frigorífico por uma empresa que presta serviços na Espanha. Mas eu comecei como acompanhante do meu marido e achava chato ficar só de carona, me dava sono e fome. Parei de acompanhar ele e disse que só voltava quando tivesse a minha carta. Eu não dirigia nem carro, mas fui tirei a habilitação e comecei a trabalhar com ele”, conta.

A cada dia vemos que as mulheres vêm ganhando espaço no mercado de trabalho e, muitas vezes, onde o domínio é masculino. E as três motoristas mostram que podem ser felizes com aquilo que colherem, mesmo correndo o risco de sofrer preconceito.

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