5 estratégias para conversar com seu filho e ajudar a const

FAMÍLIA & CRIANÇAS

5 estratégias para conversar com seu filho e ajudar a construir e desenvolver seu cérebro

Date July 20, 2017 15:06

Segundo anos de pesquisa e convivência com crianças com problemas auditivos, a cirurgiã pediátrica Dana Suskind percebeu que o acesso à linguagem e a comunicação dentro de casa afeta diretamente no desenvolvimento da criança.

De acordo com pesquisas, crianças com menos acesso à linguagem (geralmente de classes sociais baixas) chegavam a ouvir 30 milhões de palavras a menos até os 4 anos de idade, quando comparadas com crianças em outras condições e isso afetava consideravelmente o aproveitamento nas escolas.

Os quatro primeiros anos de vida de uma criança são extremamente importantes quando falamos do desenvolvimento cerebral. Indicando que, de fato, o cérebro pode ser construído através de um ambiente enriquecedor que alimenta esse desenvolvimento e que deve ser fornecido pelos adultos nesses primeiros anos de vida.

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Suskind reforça: "Mesmo que o bebê não entenda o que está sendo falado, a linguagem estará formando a arquitetura do cérebro para o pensamento e a aprendizagem. Pais e cuidadores são a força mais poderosa em construir o cérebro das crianças e prepará-las para a escola".

A pesquisadora então construiu um programa de desenvolvimento infantil no Texas, Estados Unidos, chamado Iniciativa Trinta Milhões de Palavras, e também escreveu um livro com o mesmo título. Confira abaixo 5 dicas da pesquisadora sobre como usar a linguagem para estimular o cérebro das crianças.

1. Fazer do filho um "parceiro de conversas"

Uma das primeiras dicas é reagir e se comunicar com o bebê de forma natural e aplicada ao cotidiano. Por exemplo, se você está trocando a fralda dele ou fazendo qualquer outra etapa da rotina diária, explique isso para a criança. Dessa forma você já estará contribuindo para o vocabulário dele e também mostrando a relação entre os sons que ele escuta e o que ele está vivenciando.

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Suskind afirma que ir além do "vem cá", "vamos colocar o sapato", "come" é importante nesse sentido. "A quantidade (de palavras) é apenas uma parte da equação. A qualidade da conversa é tão ou mais importante - a riqueza do vocabulário, as idas e vindas da conversa, a forma como você fala", afirma.

2. Contribuir para o desenvolvimento das habilidades matemáticas

Você jamais imaginaria que poderia ensinar matemática para o seu bebê que ainda nem sabe falar! Mas segundo Suskind: "Se você usar conceitos matemáticos e espaciais - ao, por exemplo, contar os dedos dos pés e mãos, comparar o tamanho de um triângulo, usar palavras que se refiram aos diferentes formatos dos objetos - ajudará a preparar as crianças para aprender matemática".

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A pesquisadora ainda comentou sobre como as conversas matemáticas no ambiente familiar já estabelecem certa diferença entre gêneros. Segundo ela, filhas tinham acesso à metade das conversas matemáticas quando comparadas com os filhos, o que possivelmente pode afastar as futuras mulheres dos campos "das exatas".

3. Elogiar mais o esforço do que a criança, mas falar positivamente

De acordo com a pesquisadora, crianças de famílias mais pobres costumam ouvir mais do dobro de comentários negativos do que crianças em outras condições socioeconômicas por hora. Elas também escutam menos elogios. Assim, essas crianças possuem menos contato com a variedade da linguagem, recebem mais críticas e menos elogios, o que, com certeza, afeta seu desenvolvimento cognitivo.

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Suskind ainda reforça a importância de não elogiar a criança constantemente, afirmando que isso pode torná-los em adultos passivos e dependentes da opinião alheia. Dessa forma, é mais interessante elogiar o esforço da criança em completar determinada tarefa do que simplesmente falar que ela é muito inteligente ou que o desenho ficou bonito.

4. Estimular mais a autonomia, em detrimento da obediência

Analise a diferença entre as frases: "Agora guarde seus brinquedos." e "O que devemos fazer com os brinquedos depois que terminamos de brincar?"

A primeira frase indica uma ordem que deve ser obedecida sem questionamento, enquanto a segunda frase estimula a autonomia da criança e a capacidade do pensamento crítico. "Pais que usam a pressão e a autoridade para restringir o comportamento do filho podem obter a obediência no curto prazo, mas, no longo, estão criando condições para baixa autorregulação, produzindo adultos que podem ter sérios problemas de autocontrole", diz a pesquisadora.

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Em vez de dizer simplesmente "Coloque os sapatos", que tal experimentar explicar porque é a hora de colocá-los? "É hora de ir à escola, então é bom colocar os sapatos para manter os pés secos e quentinhos. Por favor, vá buscá-los", pode ser uma frase muito mais interessante nesse sentido.

5. Entrar em sintonia com a criança e falar sobre o que a interessa

Não adianta sentar do lado da criança com um livro se, no momento, ela está entretida com uma outra brincadeira. Tente fazer parte daquilo que está na cabeça dela naquele momento e procure estimular o desenvolvimento a partir disso.

Aqui vale também reforçar a importância da voz infantilizada e cantada para falar com a criança para reforçar as relações com sons e fonemas, fornecendo um rico nutriente para o cérebro delas.

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A pesquisadora também finalizou com um recado importante a respeito da interação de pais e filhos: "Smartphones estão tomando o lugar da interação pessoal com os bebês e as crianças. Só quando a criança é o foco principal dos pais que ocorrerá a atenção necessária para o desenvolvimento cerebral ideal".

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