O drama de meninas que são obrigadas a casar no Sri Lanka e

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O drama de meninas que são obrigadas a casar no Sri Lanka e chegam até a cometer suicídio

Date July 12, 2017 18:01

Apesar de existir uma lei no Sri Lanka que estabelece a idade mínima de 18 anos para uma mulher se casar, existe uma outra lei que permite que exista uma exceção quando se trata de meninas muçulmanas.

Shafa foi uma das vítimas desse absurdo e contou, em um comovente relato, a sua história. Ela tinha 15 anos quando se apaixonou por um garoto da escola. "Meus pais não gostaram e me mandaram para a casa do meu tio. Enquanto eu estudava lá, um homem que frequentava a casa disse a eles que queria se casar comigo.", relembra ela.

Ela contou que se negou a casar com este amigo da família e que queria casar com o jovem que havia se apaixonado e depois de terminar os seus estudos. Sempre que Shafa manifestava sua rejeição ao casamento ela apanhava e era ameaçada pelos tios. Assim, não tardou para que o casamento fosse organizado.

"Cortei os pulsos porque não tinha outra opção...

... E também tomei algumas pílulas. E enquanto eu estava no hospital, subornaram os médicos e me levaram a um hospital privado. Alguns dias depois, me obrigaram a casar com esse homem", conta Shafa.

E o drama dessa jovem não parou por aí, porque Shafa acabou casando com o sujeito mas ele suspeitava que ela mantinha relação com o jovem com quem ela tinha se apaixonado e por conta disso, batia nela.

Quando Shafa contou para ele que estava grávida, a violência piorou e ela perdeu o bebê por conta da violência que havia sido submetida. Mesmo depois disso, o marido afirmou que queria manter o casamento independente da vontade dela.

Como ela continuou o rejeitando, seu marido resolveu "dar o troco". Publicou uma foto dela com seu número de telefone nas redes sociais e de repente ela começou a receber ligações de estranhos perguntando qual era o preço para passar uma noite com ela, além de proferirem insultos.

"Eu gravei todas as chamadas e ainda tenho as mensagens de texto", contou Shafa chorando.

O depois...

Depois de tudo isso, a mãe da garota (o pai não quis se envolver) levou-a a um centro de auxílio social para que ela recebesse ajuda psicológica e legal para superar essa experiência. Shafa conta que elas precisam ir ao centro escondidas por contra do preconceito desse tipo de comportamento.

"Agora eu temo por sua segurança e educação (por causa das mentiras que seu marido espalhou sobre ela). Ela não pode ir ao colégio nem andar de ônibus. Seu futuro é incerto", disse a mãe.

Realidade das meninas do Sri Lanka

Mas essa não é só a história de Shafa, como ela, centenas de jovens passam por essa experiência traumática no Sri Lanka. Existem até casos de meninas que tiveram que casar aos 12 anos de idade.

Recentemente, as ativistas muçulmanas têm exigido uma reforma dessa lei que exclui as mulheres muçulmanas da idade mínima de casamento, apesar de receberem constantes ameaças de líderes conservadores. O pedido para a alteração da lei foi reforçado pela ONU e pela União Europeia, mas poucas pessoas acreditam que isso vai mudar por conta da resistência de grande parte da população.

Enquanto isso mais e mais jovens sofrem em silêncio e têm suas vidas destruídas como foi o caso de Shafa, que até hoje recebe comentários grosseiros quando vai à escola ou sai na rua.

"É um assédio grave, eu me sinto desanimada, indefesa, não sei o que fazer.", diz Shafa que conta também que seu objetivo é se tornar advogada. A entrevistadora então pergunta: "É porque você quer ajudar outras vítimas como você?".

"Sim", responde ela com determinação.

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