O cérebro e o intestino estão mais conectados do que se im

INSPIRAÇÃO

O cérebro e o intestino estão mais conectados do que se imaginava

Date December 3, 2017 23:45

A gente sabe  o quanto nós valorizamos o coração antes mesmo de darmos o devido valor ao nosso cérebro, mas a gente devia prestar mais a atenção na beleza de trabalho que o intestino faz e o quanto ele permite que nós fiquemos saudáveis.

Para você ter ideia, o órgão é tão grande que se nós fôssemos estica-lo inteiro fora nosso corpo ele cobriria 250 metros quadrados. Isso é uma quadra de tênis, gente! Tudo dentro de nós; ou melhor: dentro de nosso ventre bem compactadinho!

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Agora essa informação vai te pegar de jeito: nosso intestino possui neurônios e trilhões de bactérias que são envolvidos (neurônios e bactérias) nos processos mais importante para o nosso corpo! Ou seja: o intestino não é só um tudo de absorção de nutrientes (delgado) e descarga de dejetos não aproveitados (grosso).

Neurônios, sim!

Isso! Muitos cientistas chamam o intestino de "segundo cérebro", sabia? Pois é, pasme! Há neurônios no seu intestino, sim!  500 milhões dessas células, segundo o gastroenterologista do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, Eduardo Antonio André.

Tá, ok! O cérebro tem bilhões de neurônios, mas ele precisa controlar praticamente todo o sistema nervoso central. Mas, o intestino tem moral! Ele comanda todo o processo digestivo, pois tem um sistema nervoso próprio. Essa autonomia o faz totalmente responsável pela coordenação, chefia e supervisão de tarefas!

Ele é quem libera as substâncias digestivas, é quem faz os movimentos digestivos, também é quem estimula os dejetos a seguirem para fora do corpo. “Esses circuitos operam sozinhos, ou seja, independem do comando cerebral”, explica André.

VEJA TAMBÉM: Cuide do intestino, ele pode salvar uma pessoa de várias doenças

Segundo Freud, o "primeiro prazer" é o anal. Na verdade, apesar da explicação ser relacionada a necessidade da criança atendida, há uma enorme verdade nessa frase porque os neurônios intestinais possuem uma enorme produção de serotonina. Essa substância está diretamente relacionada ao estado de bem-estar.

Quer ver como essa informação é surpreendente? 90% de toda a serotonina descarregada por nosso corpo é fabricada no intestino. Incrível, não é?

O médico da Academia Brasileira de Neurologia, Henrique Ballai explica que esse é um entre mais de 30 "mensageiros químicos" no nosso abdome: “Esse neurotransmissor é importante porque garante o funcionamento adequado do órgão”, elucida.

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E o que acontece é uma verdadeira conversa entre o cérebro e o intestino nessa troca de substâncias, hormônios e impulsos químicos. Isso é o que garante o endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Filippo Pedrinola. “Essa conversa acontece diretamente por meio do nervo vago, estrutura que passa pelo tórax e liga o sistema gastrointestinal à cabeça”, aponta. O endocrinologista fala ainda que é uma via de mão dupla e que o cérebro também gosta de mandar recados para o intestino: “É por isso que, diante de uma situação de estresse, podemos sentir frio na barriga ou vontade de ir ao banheiro”.

Há ainda a verdadeira legião de defensoras e auxiliares da digestão: as mais de 100 trilhões de bactérias que possuímos flora intestinal (Microbiota). São de 2 a 3 quilos de bactérias no nosso corpo!

A microbiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Regina Domingues, explica: “A microbiota tem papel decisivo na manutenção da saúde. Ela auxilia a digerir alimentos e a nos proteger de infecções”.

Mas, não cuidar direito da nossa flora intestinal pode fazer com que ovelhas negras entre essas bactérias se formem e causem os piores problemas para o corpo inteiro!

O problema de não dar o devido valor ao intestino

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Já é certo: a síndrome do intestino irritável (que tem como sintomas diarreia e dificuldade de ir ao banheiro sem razão aparente) causa desde nervosismo extremo à depressão. E o inversos também é verdadeiro: ficar para baixo ou muito ansioso mexe com a Microbiota (Flora intestinal).

Mas, estudos apontam que não dar valor ao intestino é um pecado! Na Irlanda, uma pesquisa está obtendo sucesso em verificar a origem de síndromes complexas como o Autismo. Ratinhos criados para não ter bactérias no intestino desenvolviam as características de um autista.

Estudos realizados pela Universidade College London, na Inglaterra, mostraram indícios que o mal de Parkinson começaria no ventre (à partir da constipação). “Uma hipótese sugere que a microbiota alterada leve à destruição de neurônios intestinais e isso progrida até o cérebro”, afirma Ballalai. A mesma coisa para o mal de Alzheimer.  

Cuidando da flora intestinal

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Começar a ir ao médico na preocupação de como anda a saúde do seu cérebro já é uma ótima forma de cuidar da Microbiota. Ter uma alimentação saudável, fazer ingestão de lactobacilos vivos e, antes de tudo, ter o acompanhamento semestral de um especialista é fundamental.

Para você ter ideia, a mesma equipe que percebeu a relação entre Autismo e a flora intestinal desprovida de cuidados nos ratinhos, conseguiu erradicar a depressão de outras cobaias, em outra pesquisa apenas cuidando da Microbiota delas.

E você não acreditava quando diziam que você tinha um rei na barriga, não é? É hora de começar a olhar para o próprio umbigo, mas da maneira correta!


Este artigo é meramente informativo. Não se automedique e, em todos os casos, consulte um profissional de saúde certificado antes de usar qualquer informação apresentada nesta publicação. O conselho editorial não garante nenhum resultado e não assume qualquer responsabilidade por danos que possam resultar da utilização das informações constantes no artigo.