Pai é quem ama: padrasto continua ao lado do filho após se

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Pai é quem ama: padrasto continua ao lado do filho após separação

Date November 9, 2017 15:55

No fim de um relacionamento, os elos geralmente são completamente cortados. Mas, quando as crianças, vítimas de uma situacionalidade ficam no meio desse fogo cruzado, as coisas ganham outro peso.

Leandro Crespo, 33 anos, amava seu enteado e tomou uma decisão considerada inusitada para esse mundo em que vivemos: ele continuou a criar e participar ativamente da educação do filho de sua ex, mesmo depois do término.

Tudo começou em 2011, quando começou a namorar a mãe de seu enteado, Mariana. Vinícius, fruto de outro relacionamento, tinha apenas 3 anos. E logo de cara e com muita hombridade, Leandro se abriu para a menino: "Não fazia sentido me relacionar com uma mulher que era mãe sem considerar a criança dela".

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Em um ano de relacionamento, as coisas tomaram o rumo para que todos morassem juntos. "Passei a ter um enteado, com quem convivia diariamente, e isso era uma novidade para mim. Eu me dava bem com o Vini, nos adaptamos rapidamente".

Leandro passou a amar Vinicius e nunca quis competir com o pai biológico do menino. Duas vezes por mês, Rodrigo - o pai - visitava o pequeno Vini e a relação entre todos acabou tendo uma interação cada vez maior.

Até que um dia, Leandro realmente sentiu o que tinha acontecido entre ele e Vinicius:

"Eu me lembro bem do dia em que a relação se estreitou. Tínhamos saído de São Paulo, onde moramos, para passear em Bertioga (SP). Estava nublado e, num clube à beira da piscina, escutei um menino gritando: 'Pai!'. Nem dei atenção porque, afinal, não era para mim. Eu nunca tive filhos. A criança continuou chamando e, então, comecei a procurar pela piscina, com medo de que estivesse perdida. Dei de cara com a Mariana e o Vini acenando para mim. Fiquei emocionado, mas rolou um choque."

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A companheira falou sobre ter permitido que a criança o chamasse de pai e perguntou, naquela mesma noite, se Leandro havia ficado bem com a atitude de Vinicius. "Não menti. Eu havia sentido um peso enorme sobre a minha cabeça. Ao mesmo tempo, tinha adorado! A gente não tem que achar uma criança para uma família; precisa encontrar uma família para uma criança".

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Cada vez mais presente na vida do garoto e o garoto cada vez mais presente na dele, mais íntimos foram ficando. O pequeno Vini queria Leandro para pô-lo para dormir nos dias que o medo o impedia de chegar ao sono.

Sem saber exatamente seu papel, o empreendedor pesquisava sobre o tema na Internet, mas tudo que encontrava eram instruções para a mãe e, em menor escala, para o pai, mas para o padrasto, não havia espaço.

Vinicius cresceu e permaneceu tratando Leandro como pai, apesar de saber que Rodrigo era o seu pai "de verdade". "As crianças sabem lidar melhor com as mudanças – somos nós, adultos, que nos atrapalhamos", reflete Leandro.

Não demorou, e o amor de Leandro foi mais forte que qualquer classificação: "Eu transmiti para a Mari a segurança de que queria assumir afetivamente o Vinicius. Ela permitiu, desempenhando um papel importante nisso", conta.

No início de 2017, Mariana e Leandro se separaram, mas conversaram com Vinicius sobre a situação. “Você não gosta mais da mamãe?”, foi a pergunta do menino.

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Leandro respondeu que sim, mas que estariam juntos de outra forma, como amigos. Esclareceu que o amava e que o queria muito bem. Ele não estava mentindo.

"Mantemos o convívio e dou muito suporte, inclusive financeiro. Mari leva o Vini à escola; eu busco duas vezes por semana. Um dia desses, conforme o combinado, Rodrigo o deixou na minha casa, depois de passarem o dia juntos. Eu e o Vini, que hoje tem 9 anos, vamos bastante ao cinema e curtimos passear na (avenida) Paulista. Sou meio nerd e ele também. Temos muita coisa em comum. E meus pais continuam sendo seus avós".

Hoje, Leandro é solteiro e, quando encontrar uma parceira, espera dela no mínimo compreensão. "Sinto preguiça só de pensar em uma namorada que tenha ciúme dessa dinâmica, pois nutrir algo negativo sobre as minhas escolhas não faz sentido algum para mim", confessa.

Ainda preocupado com a falta de fontes que levem informações aos pais e aos padrastos, Leandro se uniu a um amigo e criou o "4 Daddy", um site voltado para homens que abraçaram a paternidade. "Falar no tema é essencial, sensibiliza a sociedade para a importância da paternidade na vida da criança”, explica.

Que bela história a do Leandro e do Vinicius. E você, o que acha desse exemplo?

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