Cirurgias bariátricas e as armadilhas emocionais do pós-op

INSPIRAÇÃO

Cirurgias bariátricas e as armadilhas emocionais do pós-operatório podem fortalecer o vilão da compulsão alimentar

Date 3 de março de 2018

Se você acha que vai mudar de vida totalmente depois que acordar de sua cirurgia bariátrica, a ciência tem uma péssima notícia para você: vai demorar em média dois anos para que seu cérebro - e em consequência, seu corpo -, se acostume. Existem casos que mesmo dois anos depois, com as mudanças no metabolismo que a nova dieta causa, você sinta mais fome.

O estudo que foi divulgado na publicação da American Journal of Physiology Endocrinology and Metabolism, traz os apontamentos de cientistas noruegueses e dinamarqueses, que explicam que um dos hormônios da fome, chamado de secreção de grelina, cresce - ou seja, não diminui - e mantém os níveis mais elevados até dois anos depois que a dieta é iniciada.

Vivemos entre a cruz e a espada, principalmente quando optamos pela cirurgia de redução de estômago - seja por um motivo necessário (relacionado à saúde) ou por um motivo não recomendado (relacionado à beleza) -.

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Essa urgência pela perda extremamente veloz de peso é ovacionada por todos os nossos amigos, conhecidos e até mesmo quem não gosta muito da gente. Uma sociedade que tem uma neurose pela magreza, que não entende a diferença entre necessidade de saúde e o que é uma necessidade estética.

Só que o nosso cérebro procura manter a integridade física do nosso corpo, afinal de contas, a biologia e a genética não obedece ao nosso senso social de beleza. Para nosso organismo, a pesa extrema de peso significa perigo. Ou seja, o metabolismo vai diminuir e a fome vai aumentar e essa é uma estratégia que o cérebro adota para não se render ao emagrecimento para recuperar ou poupar células de energia.

A pesquisa fez parte de uma avaliação controlada com 35 adultos que sofrem de obesidade e possuem IMC maior que 40 kg/m² com nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. Todas essas pessoas perderam mais de dois quilos no período de dois anos, mas a resposta do organismo era de maior fome.

Nos primeiro dias, o organismo se surpreende e não sabem o que está acontecendo e à partir daí o peso começa a diminuir vertiginosamente. O que acontece depois faz parte das adaptações do ser humano para simplesmente não morrer. É um processo mais complexo e enraizado e entre eles, está o aumento de fome.

A taxa é altíssima. 95% das pessoas que fazem dieta recuperam o peso perdido entre 2 e 5 anos e o estudo mostra que, por conta de como é feita a nossa fisiologia, fracassar na dieta é muito normal. Nós não estamos programados para perder peso rapidamente. Estamos programados para fazer o inverso.

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Fazer dieta restritiva não funciona em longo prazo!

Um estudo feito na Austrália no ano de 2014, feito com 200 obesos, foi separado em dois grupos controlados de forma diferente! O primeiro tinha uma retenção severa de 800 calorias. O segundo teve uma redução moderada em sua dieta alimentar de 500 calorias.

O primeiro grupo alcançou o resultado em três meses e o segundo em nove. 75% dos participantes dos dois grupos recuperaram os quilos perdidos em até dois anos e meio.

Em 2017, a revista JAMA (Journal of the American Medical Association) verificou o peso de dois grupos: um fazendo o famoso jejum intermitente e o outro fazendo uma dieta restritiva. Em seis meses emagreceram o mesmo peso e logo depois voltaram a recuperar peso.

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Um ano depois, a publicação da Obesity fez um estudo controlado com os participante do "The Biggests Loser", um programa de redução de peso de modo intenso e verificou as mudanças metabólicas deles depois de 6 anos de participarem da atração. O resultado foi impressionante e assustador: os participantes não só recuperaram o peso, mas ultrapassaram o peso anterior à entrada no programa e pioraram tanto o metabolismo quanto o perfil glicêmico.

É imprescindível que revejamos nossa ideia do que é o emagrecimento saudável, pois essas novas técnicas que eliminam os quilos rapidamente não só aumentam o apetite de modo agressivo, como piora o estado de saúde.

Não é possível emagrecer de modo saudável dando sustos no cérebro! Ir adaptando a dieta para emagrecer devagar e intercalar com atividades físicas é a única forma possível de focar no bem-estar.

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