Epigenética pode explicar porque o estresse do exercício ?

Epigenética pode explicar porque o estresse do exercício é bom para o coração

Inspiração

March 13, 2018 18:33 By Fabiosa

No mundo fitness, muitas vezes o mantra do workout (ou da malhação) é uma identificação de cura para corpo, mente e pode ser crucial para manter um estilo de vida mais saudável. Uma rotina de treinos ajuda a manter o peso ideal  e demonstrou reduzir o risco de doenças como diabetes, obesidade e pressão arterial elevada. Até mesmo reconhecido como uma ótima maneira de manter o cérebro saudável.

O exercício de alta intensidade coloca um "bom estresse" no coração permitindo uma função robusta - mas, por que o estresse do exercício é considerado bom e o estresse da pressão arterial alta é considerado ruim? A epigenética pode explicar isso! A ciência já sabe que ela desempenha um papel na memória muscular e também pode fornecer uma luz nessa questão.

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O que é epigenética

Entender o conceito de epigenética ajuda na percepção de sua importância na memória muscular. Trata-se de um termo amplamente usado na biologia quando se trata da referência de organismos unicelulares e multicelulares que acabam permanecendo estáveis, mesmo depois de várias divisões celulares, contudo que não envolvam mudanças na sequência de DNA.

Daí vem a herança epigenética, é o que faz com que nossos músculos respondam aos estímulos e criem uma rotina do estresse do bem. Isso acontece porque ocorre a transmissão de experiências ocorridas com os pais para os filhos e que não ocorre através do DNA. Nós temos uma predisposição genética herdada de nossos antepassados a tornar o estresse muscular em benefício para o corpo.

Sobre a Pesquisa

Pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa Cardiovascular e do Hospital Universitário de Heidelberg na Alemanha descobriram que um interruptor epigenético responsivo ao estresse chamado histona desacetilase 4 (HDAC4) pode ser responsável por permitir ou prevenir a insuficiência cardíaca dependendo de qual caminho metabólico é ativado quando o coração está sob estresse. Seu estudo foi publicado na Nature Medicine.

A equipe de pesquisa colocou dois tipos de estresse nos corações de camundongos: "bom" estresse fisiológico do exercício e estresse patológico "ruim" da pressão arterial elevada. Eles visaram determinar os efeitos que cada forma de estresse teve na saúde cardíaca geral e examinou uma cadeia de processos metabólicos.

Em última análise, eles descobriram que uma via de sinal anteriormente não detectada poderia causar ou proteger alguém de insuficiência cardíaca. No final do teste, mais fragmentos HDAC4 foram encontrados nos corações da cobaia que fez exercícios. Os camundongos com hipertensão arterial não geraram HDAC4, o que significa que estresse dos treinos conduz à via saudável e o estresse emocional tomou o caminho para a insuficiência cardíaca.

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Para testar isso ainda mais, os pesquisadores criaram ratos geneticamente modificados que não conseguiram gerar fragmentos de HDAC4. Depois que os ratos sofreram estresse fisiológico, eles descobriram que o exercício já não teve um efeito saudável, e os ratos finalmente acabaram por desenvolver uma insuficiência cardíaca temporária. Isso sugere que HDAC4 poderia ser o interruptor epigenético responsável por manter um coração saudável.

Então, o que torna o estresse fisiológico bom e o emocional ruim?  O professor Johannes Backs do Centro Alemão de Pesquisa Cardiovascular especula que os intervalos frequentes que o exercício oferece são o ponto crucial da diferença. Durante os períodos de descanso experimentados no exercício, uma enzima chamada proteína quinase recupera e permite a ativação dos fragmentos de HDAC4. Isso também pode explicar por que os esportes de alta intensidade, aqueles que não permitem o descanso, podem causar danos ao coração do atleta.

O estresse patológico devido à hipertensão arterial não proporciona o mesmo benefício que o estresse fisiológico. A pressão sanguínea elevada aplica uma tensão constante e permanente no coração sem permitir que a proteína quinase A se recupere adequadamente, diminuindo assim a atividade dos fragmentos HDAC4, enviando os sinais nas células do coração por um caminho sombrio que tem como destino final a insuficiência cardíaca.

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As células do miocárdio começam a produzir energia usando açúcares, em vez de gorduras. Esses açúcares produzem resíduos que podem se unir e alterar a função da proteína, inibindo o metabolismo do cálcio do coração responsável pela função de bombeamento do coração.

Backs se disse entusiamado com a descoberta e começou a realizar tratamentos de terapia epigenética para que os camundongos se protegessem contra a insuficiência cardíaca.  "Essas descobertas são novas e mudam a maneira como pensamos sobre como uma célula miocárdica pode falhar. Nós conseguimos demonstrar que existe uma ligação entre a epigenética através do metabolismo até a contratilidade, ou seja, através da função cardíaca".

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