#ÍndioNãoÉFantasia: Youtuber denuncia que se vestir como

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#ÍndioNãoÉFantasia: Youtuber denuncia que se vestir como índio no carnaval é racismo

Date 12 de fevereiro de 2018

É possível que você tenha “se vestido de índio" durante a infância, na comemoração do Dia do Índio feita pela sua escola, ou até mesmo no carnaval. Mas talvez você nunca tenha parado para pensar sobre as questões envolvidas nesse ato, que, a menos que seja denunciado, muitas vezes é considerado algo sem muita importância, apenas uma brincadeira.

Foi exatamente por isso que a Katú Mirim, artista indígena, publicou um vídeo em que fala sobre as consequências desse costume e lançou o movimento de protesto #ÍndioNãoÉFantasia.

A youtuber explica que o uso dessa “fantasia” é uma prática racista, por se apropriar da cultura do povo indígena, vítima de genocídio até hoje. No vídeo, ela faz uma interpretação de uma garota que conta para a amiga que iria para o carnaval fantasiada de índio. A partir daí, Katú inicia seu depoimento e explica o que a levou a fazer isso:

As vitrines das lojas estavam lotadas de cocares e aquela cena ficou na minha cabeça. Para mim foi como ver meus ancestrais e a mim mesma sendo pendurados.

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Depois a ativista chama à reflexão o significado da palavra fantasia.

Fantasia: substantivo feminino, criação, imaginação, ficção, algo que não existe. Pessoas, culturas, não são fantasias. Elas existem.

Em seguida, ela rebate a ideia de que as pessoas usam a “fantasia” de índio, no carnaval, como uma homenagem. Segundo ela, isso não é feito para homenagear, mas sim para chamar à atenção.

Os povos indígenas já são estereotipados e descriminados, e a sociedade só lembra da nossa existência quando lhe convém, como é o caso da fantasia, que pega os nossos símbolos sagrados e os transforma em mercadoria e meros adornos descartáveis.

Katú finaliza o vídeo com uma provocação:

Então é com você apoiar a luta, a cultura indígena, os povos… ou achar que a sua conveniência ou o seu prazer em usar uma fantasia tem mais valor do que a luta do nosso povo.

A publicação teve grande repercussão e gerou comentários como “volta para aldeia” e “índio que é índio mora no mato”, o que a levou a desativá-los do post. Desde 2007, Katú luta pela representatividade e direitos dos povos, por meio do movimento Visibilidade Indígena, criado por ela.

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